Panorama Macroeconômico
Ao longo de maio, observou-se melhora tática no apetite a risco, impulsionada sobretudo pela reprecificação de cenários no Oriente Médio, com expectativas de avanço nas negociações entre EUA e Irã em relação ao estreito de Ormuz. Esse fator contribuiu para a compressão de prêmios, ainda que com caráter frágil e dependente da evolução geopolítica, especialmente via preços de petróleo.
Em contrapartida, o ambiente monetário nos EUA seguiu como principal vetor de cautela. A ata do Federal Reserve reforçou preocupações com a inflação e reduziu a probabilidade de cortes adicionais de juros, reacendendo discussões sobre eventual retomada do aperto. Como reflexo, observou-se pressão nas curvas longas, com treasuries acima de 30 anos voltando ao patamar de 5% a.a - movimento que sugere deterioração na dinâmica de demanda por prazos mais longos.
No campo microeconômico, a resiliência segue concentrada no setor de tecnologia. Resultados robustos de empresas como a NVIDIA sustentam a narrativa estrutural de crescimento ligada à inteligência artificial, contribuindo para a manutenção das bolsas em níveis elevados, apesar do pano de fundo macro mais restritivo.
No Brasil, os ativos locais permaneceram sensíveis ao cenário externo, especialmente via geopolítica e commodities. Internamente, medidas de estímulo ao crédito, combinadas à proximidade do calendário eleitoral, ampliaram incertezas fiscais e de política econômica, reforçando uma postura mais defensiva por parte dos investidores.
Desempenho
Desempenho no mês de maio, em dólares, dos principais ativos globais
Desempenho
Desempenho no ano, em dólares, dos principais ativos globais
Cenário Brasil
A saída expressiva de capital estrangeiro ao longo do mês refletiu a combinação de um ambiente externo mais adverso - novamente determinante para a dinâmica dos mercados - e o aumento dos ruídos no cenário político doméstico. A deterioração das expectativas inflacionárias voltou a se evidenciar no Boletim Focus, que passou a projetar inflação acima de 5% a.a. em 2026, reforçando a percepção de desancoragem. Em resposta, o governo editou medida provisória autorizando subsídio aos combustíveis equivalente aos tributos federais, com impacto estimado em R$ 2,7 bilhões mensais, a ser compensado por receitas extraordinárias associadas à alta do petróleo, como royalties - solução que mitiga efeitos de curto prazo, mas não elimina questionamentos fiscais.
No campo dos indicadores, o quadro mostrou-se heterogêneo. Houve surpresa positiva na resiliência das vendas no varejo, produção industrial e no PIB, enquanto o volume de serviços e o Caged apontaram desaceleração. O IPCA-15 de abril, por sua vez, já sinalizou pressão inflacionária adicional, movimento que passou a ser monitorado de perto pelo Banco Central e tende a influenciar as próximas decisões de política monetária.
Os mercados domésticos reagiram de forma consistente a esse conjunto de fatores. A elevação dos prêmios nas Treasuries intensificou a saída de capital e contaminou a curva de juros local, que chegou a operar acima de 14% em todos os vértices, pressionando ativos de renda fixa e variável. O câmbio, que havia ensaiado acomodação abaixo de R$ 5,00, voltou a se depreciar diante do aumento da aversão ao risco global.
Curva de Juros do Brasil
Cenário Internacional
Apesar da continuidade do conflito no Oriente Médio e da ausência de uma solução definitiva, sinais pontuais de avanço nas negociações foram suficientes para sustentar expectativas de redução das tensões, especialmente no que se refere à possível reabertura do Estreito de Ormuz. Essa leitura contribuiu para a manutenção de um viés mais construtivo nos mercados, ainda que sustentado por premissas frágeis e altamente dependentes da evolução geopolítica.
Os mercados acionários norte-americano e asiáticos mantiveram trajetória positiva, com destaque para o S&P 500 e o índice Kospi renovando máximas históricas. O movimento foi ancorado em resultados corporativos robustos e na resiliência do ambiente microeconômico, sobretudo no setor de tecnologia. A precificação implícita segue indicando que os agentes assumem uma resolução relativamente rápida do conflito, sem incorporar, por ora, cenários de disrupção mais prolongada.
Na Europa, a inflação ao consumidor voltou a surpreender negativamente, com o CPI acumulado em 3%, acima da meta de 2% do Banco Central Europeu. A energia permaneceu como principal vetor de pressão, refletindo a elevada dependência do bloco por importações. Diante desse quadro, Christine Lagarde alertou para os efeitos prolongados do conflito sobre a inflação e reforçou a necessidade de maior disciplina fiscal, sob o risco de elevação de juros.
| Simulação | Conservador | Moderado | Arrojado | Agressivo |
|---|---|---|---|---|
| Mai/26 (%) | 1,16% | 0,91% | -0,08% | -0,41% |
| Mai/26 (CDI%) | 106,91% | 83,65% | -7,70% | -37,75% |
| 2026 (%) | 6,11% | 4,66% | 3,92% | 3,58% |
| 2026 (CDI%) | 106,56% | 81,30% | 68,37% | 62,50% |
| Acumulado 31/10/2023 a 29/05/2026 (%) | 38,83% | 32,60% | 32,73% | 32,61% |
| Acumulado 31/10/2023 a 29/05/2026 (CDI%) | 109,66% | 89,74% | 90,10% | 89,78% |
O Ibovespa registrou o pior desempenho mensal desde maio de 2023, com queda de 7,2%, impactando negativamente os perfis arrojado e agressivo - ainda que em menor magnitude. Esse movimento foi impulsionado, principalmente, pela forte saída de capital estrangeiro, direcionado a outros mercados emergentes com maior exposição ao setor de tecnologia. Esse segmento voltou a ganhar tração após a divulgação de resultados robustos das big techs.
Na renda fixa, a abertura dos spreads de crédito continuou pressionando a performance dos fundos de infraestrutura. Apesar de sinais mais recentes de normalização, optamos, para o mês de junho, pela retirada do fundo SPX Seahawk de todos os perfis, substituindo-o por uma estratégia prefixada, agora incorporada às carteiras arrojada e agressiva. Além disso, realizamos ajustes no peso das demais classes dentro dos portfólios. Esse movimento busca aumentar a resiliência das carteiras frente ao elevado nível de incerteza, tanto no cenário local quanto internacional.
Diante desse contexto, entendemos que os fundos multimercados tendem a assumir um papel ainda mais estratégico na diversificação dos portfólios, dada sua flexibilidade de alocação entre diferentes classes de ativos e a capacidade de capturar oportunidades em ambientes de compressão de prêmios de risco.
Perfil Conservador
O perfil conservador apresentou rentabilidade de 1,16%, equivalente a 107% do CDI. As estratégias em títulos prefixados e IPCA+ (sem marcação a mercado), disponíveis na prateleira de CDBs, seguiram se beneficiando da abertura da curva de juros, oferecendo prêmios mais atrativos para horizontes de médio e longo prazo.
Jun/26
Mapfre Confianza Plus
50,0%
CDB IPCA
30,0%
CDB Pré
20,0%
Mai/26
Mapfre Confianza
50,0%
CDB IPCA
30,0%
CDB Pré
20,0%
Retorno absoluto
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Mai/26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Conservador | 2,06% | 11,85% | 15,45% | 1,16% | 6,11% | 39,83% |
Retorno com % do CDI
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Mai/26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Conservador | 115,90% | 109,70% | 107,76% | 106,91% | 106,56% | 109,66% |
Perfil Moderado
Mais uma vez, a estratégia isenta de IR, representada pelo fundo SPX Seahawk, foi a principal detratora de performance, com retorno de 0,51% no mês, equivalente a 48% do CDI. Apesar da melhora na assimetria, diante de um cenário de spreads em patamares mais ‘’normalizados’’, optamos por retirar o fundo de todas as carteiras.
Jun/26
50,0%
16,0%
18,0%
16,0%
Mai/26
40,0%
12,0%
16,0%
18,0%
14,0%
Retorno absoluto
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Mai/26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Moderado | 3,53% | 7,50% | 13,83% | 0,91% | 4,66% | 32,60% |
Retorno com %CDI
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Mai/26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Moderado | 198,54% | 69,46% | 96,53% | 83,65% | 81,30% | 89,74% |
Perfil Arrojado
Na estratégia de renda variável, o principal detrator foi o fundo AZ Quest Top Long Biased, que apresentou retorno de -8,56%, desempenho inferior ao Ibovespa, refletindo o maior beta da carteira. Apesar do resultado negativo, o impacto foi praticamente compensado pelo bloco defensivo, composto por ativos de renda fixa. Com isso, o perfil arrojado registrou leve queda de -0,08% no mês.
Jun/26
45,0%
12,0%
18,0%
15,0%
10,0%
Mai/26
46,0%
12,0%
18,0%
14,0%
10,0%
Retorno absoluto
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Mai/26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Arrojado | 5,26% | 6,11% | 14,35% | -0,08% | 3,92% | 32,73% |
Retorno com %CDI
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Mai/26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Arrojado | 296,07% | 56,57% | 100,12% | -7,70% | 68,37% | 90,10% |
Perfil Agressivo
A maior exposição à renda variável - com peso de 13% - resultou em maior sensibilidade à volatilidade do mercado. Assim, o perfil agressivo apresentou rentabilidade de -0,41% no período.
Jun/26
42,0%
11,0%
20,0%
14,0%
13,0%
Mai/26
37,0%
12,0%
20,0%
18,0%
13,0%
Retorno absoluto
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Abr/26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Agressivo | 6,06% | 5,47% | 14,45% | -0,41% | 3,58% | 32,61% |
Retorno com %CDI
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Mai/26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Agressivo | 341,06% | 50,61% | 100,83% | -37,75% | 62,50% | 89,78% |
Visão Sofisa Direto
Mantemos a avaliação de que a relação risco-retorno, nos atuais níveis de preços das bolsas das economias centrais, apresenta assimetria desfavorável. Esse contexto tende a favorecer a realocação gradual de capital para mercados emergentes, como o Brasil, que combinam valuations relativamente mais atrativos, menor exposição direta aos principais focos de tensão geopolítica e participação no movimento global de diversificação geográfica.
Esses fluxos possuem potencial para amortecer choques adversos sobre os ativos locais, ainda que permaneçam sujeitos a episódios de realização e às incertezas domésticas já mencionadas. Dessa forma, revisamos nossa visão para o Ibovespa para neutra, até que haja maior clareza sobre o ambiente macroeconômico.
Na renda fixa, a recente elevação dos prêmios de risco ampliou o conjunto de oportunidades na classe. A perspectiva de manutenção da taxa CDI em níveis elevados por um período mais prolongado continua sustentando a atratividade das estratégias pós-fixadas, ao mesmo tempo em que os níveis atuais de prêmio reforçam o apelo de alocações seletivas em prefixados.
Nesse ambiente, os fundos multimercado mantêm papel relevante na diversificação dos portfólios, em função de sua flexibilidade de alocação e capacidade de capturar oportunidades em movimentos de ajuste e compressão de prêmios de risco.
Por fim, diante de um cenário global ainda marcado por elevada incerteza, seguimos privilegiando, além das carteiras recomendadas por perfil, teses temáticas associadas a tendências estruturais de longo prazo, como a desglobalização, a reorganização das cadeias produtivas e a transição energética. Nesse contexto, destacam-se oportunidades nos segmentos de defesa, metais preciosos, tecnologia e energia de baixo carbono, complementadas por alocações estratégicas em mercados emergentes.

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