Panorama Macroeconômico
O primeiro mês do ano foi marcado por uma intensificação dos riscos geopolíticos e por um avanço mais acelerado do processo de reorganização da ordem mundial como a conhecemos. A política “America First”, adotada por Donald Trump — com foco em nacionalismo e protecionismo e revisão de acordos internacionais — elevou tensões entre países e reforçou o isolamento das economias centrais. Esse ambiente contribuiu para o enfraquecimento do dólar e ampliou a busca por proteção em ativos escassos, como ouro, que chegou a superar o patamar de US$ 5,4 mil por onça troy.
A maior aversão ao risco também redirecionou fluxos para mercados emergentes, beneficiando o Brasil, que registrou entrada líquida superior a R$23 bilhões no mês, equivalente a 86% do total de 2025.Esse movimento levou a bolsa de valores a novos recordes, encerrando o período aos 181.364 pontos (alta de 12,56%), enquanto o dólar recuou para R$ 5,25, queda de 4,20% em relação ao fim de 2025.Desempenho
Desempenho no mês de dezembro, em dólares, dos principais ativos globais
Desempenho
Desempenho no ano, em dólares, dos principais ativos globais
Cenário Brasil
A decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros em 15% já era amplamente esperada e vinha sendo sinalizada pela autoridade monetária. A comunicação também não surpreendeu ao adotar um tom cauteloso, porém com um guidance menos restritivo. A autoridade monetária destacou que, caso o cenário-base se confirme, poderá iniciar a flexibilização da política monetária já na próxima reunião.
Paralelamente, tivemos o início do processo de ressarcimento do FGC decorrente da liquidação do Banco Master e uma nova intervenção do Banco Central no Will Bank, que deverá resultar em um pagamento adicional de aproximadamente R$ 6,3 bilhões em pagamentos. Apesar do ruído institucional em torno da atuação da autoridade monetária nesses episódios, não houve — ao menos no curto prazo — impacto perceptível no risco‑país, medido pelo CDS Brazil.
Mesmo com desafios domésticos, os sucessivos recordes da bolsa permaneceram alinhados à nossa tese de investimentos. Embora as tensões internacionais tenham elevado a aversão ao risco, esse cenário também fortalece o fluxo para mercados emergentes, que seguem como posições estratégicas nas carteiras de investidores globais.Curva de Juros do Brasil
Cenário Internacional
O ano começou com o cenário geopolítico ocupando o centro das atenções. Nos primeiros dias do mês, os Estados Unidos capturaram e prenderam o então presidente venezuelano Nicolás Maduro. A demonstração de força foi sucedida por declarações de Donald Trump que elevaram tensões não apenas com adversários históricos, mas também com tradicionais aliados. A menção a possíveis intervenções militares na Groenlândia e no Irã, além da consideração de um bloqueio naval a Cuba, intensificou a percepção de instabilidade e acelerou movimentos de realinhamento geopolítico.
Internamente, uma nova disputa institucional ganhou protagonismo após Trump ameaçar o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, levantando dúvidas sobre a independência do banco central norte‑americano e ampliando a aversão ao risco.
Apesar das turbulências que dominaram praticamente todo o mês, houve um alívio parcial após o recuo de Trump, durante seu discurso no Fórum Econômico Mundial, em relação ao uso de força para a tomada de território europeu — medida que, se levada adiante, poderia fragilizar severamente a OTAN e desencadear uma crise diplomática de grandes proporções.
| Simulação | Conservador | Moderado | Arrojado | Agressivo |
|---|---|---|---|---|
| Jan/26 (%) | 1,26% | 2,06% | 2,84% | 3,19% |
| Jan/26 (CDI%) | 106,92% | 174,59% | 240,81% | 270,55% |
| 2026 (%) | 1,26% | 2,06% | 2,84% | 3,19% |
| 2026 (CDI%) | 106,92% | 174,59% | 240,81% | 270,55% |
| Acumulado 31/10/2023 a 30/01/2026 (%) | 33,44% | 29,30% | 31,35% | 32,11% |
| Acumulado 31/10/2023 a 30/01/2026 (CDI%) | 109,83% | 92,22% | 102,94% | 105,43% |
O mês de janeiro foi marcado por um ambiente mais favorável aos ativos de risco, impulsionado pelo fechamento da curva de juros e pela forte performance da renda variável. Nesse contexto, os portfólios apresentaram resultados consistentes, refletindo as decisões estratégicas dos últimos meses. A seguir, destacamos a rentabilidade e os principais direcionadores de cada perfil. Para fevereiro, optamos por manter as carteiras inalteradas, preservando as estratégias e o equilíbrio entre risco e retorno.
Perfil Conservador
O Perfil Conservador apresentou rentabilidade de 1,26%, equivalente a 107% do CDI no mês. A saída do Arx Denali e o aumento da exposição ao Mapfre Confianza neste início de ano se mostraram decisões assertivas, com o fundo entregando 104% do CDI. O alfa do período veio principalmente das alocações em prefixados (IRF-M) e inflação (IMA-B), beneficiadas pelo fechamento da curva de juros.
Fev/26
Mapfre Confianza
50,0%
CDB IPCA
30,0%
CDB Pré
20,0%
Jan/26
Mapfre Confianza
50,0%
CDB IPCA
30,0%
CDB Pré
20,0%
Retorno absoluto
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Jan/26 | 1º Acum. Trim 26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Conservador | 2,06% | 11,85% | 15,45% | 1,26% | 1,26% | 1,26% | 33,44% |
Retorno com % do CDI
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Jan/26 | 1º Acum. Trim 26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Conservador | 115,90% | 109,70% | 107,76% | 106,92% | 106,92% | 106,92% | 109,83% |
Perfil Moderado
O Perfil Moderado registrou alta de 2,06%, equivalente a 175% do CDI. As maiores contribuições vieram da alocação no Fundo Multimercado Kapitalo K10, entregando retorno de 2,79%, impulsionado especialmente pelos books de commodities e moedas. Outro destaque foi o SPX Seahawk Debêntures Incentivadas D45, com retorno de 3,03%, beneficiado pela forte retomada da demanda por debêntures incentivadas, que levou ao fechamento dos spreads de crédito.
Fev/26
34,0%
18,0%
16,0%
18,0%
14,0%
Jan/26
34,0%
18,0%
16,0%
18,0%
14,0%
Retorno absoluto
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Jan/26 | 1º Acum. Trim 26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Moderado | 3,53% | 7,50% | 13,83% | 2,06% | 2,06% | 2,06% | 29,30% |
Retorno com %CDI
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Jan/26 | 1º Acum. Trim 26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Moderado | 198,54% | 69,46% | 96,53% | 174,59% | 174,59% | 174,59% | 96,22% |
Perfil Arrojado
O Perfil Arrojado apresentou valorização de 2,84%, equivalente a 241% do CDI. Além do impacto positivo da maior exposição ao Kapitalo K10, a forte performance da bolsa de valores no período impulsionou os resultados do AzQuest Top Long Biased, estratégia de renda variável que entregou retorno de 9,50%. Apesar do bom desempenho, o resultado ficou abaixo do Ibovespa, que avançou 12,56% no mês.
Fev/26
40,0%
18,0%
18,0%
14,0%
10,0%
Jan/26
40,0%
18,0%
18,0%
14,0%
10,0%
Retorno absoluto
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Jan/26 | 1º Acum. Trim 26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Arrojado | 5,26% | 6,11% | 14,35% | 2,84% | 2,84% | 2,84% | 31,35% |
Retorno com %CDI
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Jan/26 | 1º Acum. Trim 26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Arrojado | 296,07% | 56,57% | 100,12% | 240,81% | 240,81% | 240,81% | 102,94% |
Perfil Agressivo
Assim como no Perfil Arrojado, as mudanças implementadas nos últimos três meses se mostraram acertadas ao elevar a exposição em renda variável. Com isso, investidores com maior tolerância ao risco foram beneficiados com retorno de 3,19%, equivalente a 271% do CDI em janeiro, e comum a volatilidade estimada pouco acima de 3%, significativamente inferior à do Ibovespa, que historicamente oscila entre 15% e 20%.
Fev/26
30,0%
18,0%
20,0%
19,0%
13,0%
Jan/26
30,0%
18,0%
20,0%
19,0%
13,0%
Retorno absoluto
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Jan/26 | 1º Acum. Trim 26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Agressivo | 6,06% | 5,47% | 14,45% | 3,19% | 3,19% | 3,19% | 32,11% |
Retorno com %CDI
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Jan/26 | 1º Acum. Trim 26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Agressivo | 341,06% | 50,61% | 100,83% | 270,55% | 270,55% | 270,55% | 105,43% |
Visão Sofisa Direto
O alívio no câmbio observado neste início de ano —resultado da forte entrada de capital estrangeiro no Brasil e do enfraquecimento do dólar frente à cesta das principais moedas globais(DXY) — somado à prévia de inflação ligeiramente mais favorável divulgada no fim do mês, contribuiu para a redução das projeções do IPCA para 2026 captadas pelo Boletim Focus. Ainda assim, entendemos que parte relevante dos riscos domésticos e globais permanece subestimada. No cenário interno, o desafio fiscal segue central, diante do aumento das despesas obrigatórias e das dificuldades previstas para o cumprimento das regras estabelecidas pelo novo arcabouço.
No ambiente externo, o mercado ainda busca um ponto de equilíbrio dentro de um “novo normal”, marcado por ruídos decorrentes das constantes ameaças do Presidente norte‑americano a adversários e aliados, ao mesmo tempo em que bolsas globais e diversas classes de ativos renovam máximas históricas — reflexo de um período prolongado de liquidez abundante, resultado das intervenções monetárias promovidas pelos principais bancos centrais após a crise do subprime e, mais recentemente, durante a pandemia de Covid‑19. O entusiasmo global com a inteligência artificial também tende a sustentar a resiliência da economia norte‑americana no curto prazo, impulsionado pelos fortes resultados corporativos, que seguem atraindo parte significativa dos fluxos de capital.
Em paralelo, os acordos comerciais firmados entre a União Europeia com o Mercosul e com a Índia evidenciam a crescente intenção do bloco europeu de reduzir sua dependência econômica em relação aos Estados Unidos. Enquanto na Ásia, observa‑se um movimento silencioso, porém relevante no mercado de títulos do Japão: diante de uma inflação mais elevada, o BoJ se viu obrigado a elevar os juros, o que pode reverter parte do fluxo global de capitais para o iene, adicionando mais um elemento de risco ao ambiente internacional já instável.
Ainda assim, avaliamos que os mercados emergentes devem continuar ocupando papel estratégico nas alocações de investidores globais, como parte de um movimento de diversificação para regiões menos expostas às tensões geopolíticas. Esse movimento pode continuar favorecendo o mercado brasileiro, embora sujeito a realizações de lucros no curto prazo, volatilidade típica de períodos eleitorais e aos desafios domésticos já mencionados.
Nesse contexto, além das carteiras recomendadas por perfil — disponíveis no app — mantemos preferência por teses temáticas que se beneficiam das tendências de desglobalização, realocação de cadeias produtivas e transição energética. Entre elas, destacam‑se os temas de defesa, metais preciosos, tecnologia e energia de baixo carbono, complementados por alocações estratégicas em economias emergentes.

.png)
