Panorama Macroeconômico
Assim como em janeiro, o último dia do mês de fevereiro voltou a ser marcado pela intensificação das tensões geopolíticas, após ações militares conjuntas entre EUA e Israel que resultaram no ataque e eliminação do líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Os reflexos imediatos apareceram nos preços das commodities — especialmente petróleo e metais preciosos.
Paralelamente, a Suprema Corte dos EUA declarou ilegais as tarifas recíprocas impostas a outros países, decisão que foi seguida pelo anúncio do governo Trump de novas tarifas globais de 10%, com vigência de 150 dias e justificadas por razões de segurança nacional. Além disso, as tensões envolvendo grandes empresas de tecnologia — especialmente diante da disrupção provocada pelo avanço da IA — aumentaram a volatilidade do setor. Ações como IBM e Microsoft acumulam perdas superiores a 18% em 2026.
Enquanto isso, os fluxos para mercados emergentes continuaram favorecendo o Brasil, que registrou entrada líquida superior a R$ 40 bilhões no ano. Esse movimento sustentou novos recordes na bolsa, que encerrou o mês aos 188.787 pontos (alta de 17,17% no acumulado de 2026), enquanto o dólar recuou para R$ 5,13, queda de 6,41% em relação ao fim de 2025.
Desempenho
Desempenho no mês de fevereiro, em dólares, dos principais ativos globais
Desempenho
Desempenho no ano, em dólares, dos principais ativos globais
Cenário Brasil
A ata do Copom manteve o tom flexível observado no comunicado, reforçando a possibilidade de redução na taxa básica de juros já na decisão deste mês. O novo consenso de mercado aponta para cortes iniciais de 0,50 bps, acompanhados de guidance cauteloso sobre a evolução do balanço de riscos.
No campo da atividade, os últimos dados — como vendas no varejo e expansão do setor de serviços — vieram abaixo das expectativas. Embora positivos para a dinâmica da política monetária, não alteram a avaliação estrutural de que a atividade segue operando em nível elevado, próximo ao pico histórico da série, ainda exercendo pressão relevante sobre a demanda. A combinação de provável queda dos juros e aumento da renda disponível deve continuar impulsionando o PIB ao longo de 2026.
Na temporada de balanços do 4º tri de 2026, o destaque ficou para o setor financeiro, que apresentou resiliência e lucros acima das projeções. A taxa de juros elevada favoreceu margens financeiras, embora o mercado siga monitorando custos de captação e inadimplência em um ambiente de crédito mais restrito.
Curva de Juros do Brasil
Cenário Internacional
Após a captura do ex‑presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA no mês anterior, a pressão norte‑americana sobre o Irã culminou em uma nova operação militar, gerando impactos geopolíticos significativos. O fechamento do Estreito de Ormuz — rota por onde passa aproximadamente 20% do petróleo comercializado globalmente — gerou instabilidade nos preços do petróleo. Ainda é cedo para mensurar plenamente os efeitos dessas operações sobre os mercados, mas a tendência é de que a volatilidade persista até que haja maior clareza sobre a duração e os desdobramentos do conflito.
No front doméstico dos EUA, além das incertezas geopolíticas e tarifárias, a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve — somada à divulgação de uma ata com tom mais restritivo e a dados de inflação e mercado de trabalho acima das projeções — reduziu a probabilidade de cortes de juros no primeiro semestre.
Na Europa, o BCE manteve a taxa de juros em 2% a.a., nível considerado próximo ao juro neutro da região. O Banco da Inglaterra também manteve sua taxa em 3,75%, refletindo o combate a uma inflação ainda persistente.
Na Ásia, o Kospi — principal índice da Coreia do Sul — segue como a bolsa com melhor desempenho global em 2026. O movimento reflete os lucros recordes do setor de semicondutores, impulsionados pela forte demanda associada à inteligência artificial, além do avanço de reformas institucionais no país. Já no Japão, o destaque foi a vitória histórica da primeira‑ministra Sanae Takaichi nas eleições antecipadas, garantindo ao seu partido mais de dois terços das cadeiras na câmara baixa — feito inédito no pós‑guerra. Apesar da política fiscal expansionista, que promete elevar investimentos ao mesmo tempo em que reduz impostos, permanece a incerteza sobre o impacto na arrecadação, com possível perda anual de 5 trilhões de ienes em um país cuja dívida pública já supera duas vezes o PIB.
| Simulação | Conservador | Moderado | Arrojado | Agressivo |
|---|---|---|---|---|
| Fev/26 (%) | 1,08% | 1,10% | 1,45% | 1,57% |
| Fev/26 (CDI%) | 107,16% | 108,69% | 143,73% | 155,32% |
| 2026 (%) | 2,36% | 3,18% | 4,33% | 4,81% |
| 2026 (CDI%) | 107,07% | 144,42% | 196,82% | 218,47% |
| Acumulado 31/10/2023 a 28/02/2026 (%) | 34,89% | 30,72% | 33,25% | 34,18% |
| Acumulado 31/10/2023 a 28/02/2026 (CDI%) | 109,82% | 96,69% | 104,67% | 107,58% |
Fevereiro foi novamente favorável aos ativos de risco no Brasil, impulsionado pelo fechamento da curva de juros e pela forte performance da renda variável diante da entrada de capital estrangeiro. Nesse ambiente, os portfólios registraram resultados consistentes, refletindo decisões estratégicas tomadas nos últimos meses.
Para março, realizamos um rebalanceamento nos perfis Moderado, Arrojado e Agressivo, reduzindo a exposição ao SPX Seahawk Debêntures Incentivadas. Essa decisão foi motivada pela menor assimetria nos spreads de crédito e pelo aumento da aversão ao risco no cenário internacional após os conflitos no Oriente Médio.
O peso foi redistribuído para o Mapfre Confianza, fundo que compõe o bloco mais defensivo das carteiras e tende a oferecer maior previsibilidade em um momento de maior incerteza no ambiente global.
A seguir, destacamos a rentabilidade e os principais direcionadores:
Perfil Conservador
O perfil apresentou rentabilidade de 1,08%, equivalente a 107% do CDI. O Mapfre Confianza permanece como destaque, com elevada liquidez e estabilidade, entregando 104% do CDI.
Mar/26
Mapfre Confianza
50,0%
CDB IPCA
30,0%
CDB Pré
20,0%
Fev/26
Mapfre Confianza
50,0%
CDB IPCA
30,0%
CDB Pré
20,0%
Retorno absoluto
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Fev/26 | 1º Acum. Trim 26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Conservador | 2,06% | 11,85% | 15,45% | 1,08% | 2,36% | 2,36% | 34,89% |
Retorno com % do CDI
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Fev/26 | 1º Acum. Trim 26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Conservador | 115,90% | 109,70% | 107,76% | 107,16% | 107,07% | 107,07% | 109,82% |
Perfil Moderado
Registrou alta de 1,10%, equivalente a 109% do CDI. Destaque novamente para o multimercado Kapitalo K10, que entregou retorno de 230% do CDI, impulsionado pelos books de commodities e renda fixa.
Mar/26
40,0%
12,0%
16,0%
18,0%
14,0%
Fev/26
34,0%
18,0%
16,0%
18,0%
14,0%
Retorno absoluto
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Fev/26 | 1º Acum. Trim 26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Moderado | 3,53% | 7,50% | 13,83% | 1,10% | 3,18% | 3,18% | 30,72% |
Retorno com %CDI
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Fev/26 | 1º Acum. Trim 26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Moderado | 198,54% | 69,46% | 96,53% | 108,69% | 144,42% | 144,42% | 96,69% |
Perfil Arrojado
O perfil subiu 1,45%, equivalente a 144% do CDI. Além da maior exposição ao Kapitalo K10, a forte alta da bolsa impulsionou o desempenho do Az Quest Top Long Biased, que entregou retorno de 4,51%, acima do Ibovespa (4,09%).
Mar/26
46,0%
12,0%
18,0%
14,0%
10,0%
Fev/26
40,0%
18,0%
18,0%
14,0%
10,0%
Retorno absoluto
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Fev/26 | 1º Acum. Trim 26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Arrojado | 5,26% | 6,11% | 14,35% | 1,45% | 4,33% | 4,33% | 33,25% |
Retorno com %CDI
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Fev/26 | 1º Acum. Trim 26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Arrojado | 296,07% | 56,57% | 100,12% | 143,73% | 196,82% | 196,82% | 104,67% |
Perfil Agressivo
O perfil avançou 1,57%, equivalente a 155% do CDI. A maior exposição à renda variável — implementada nos últimos meses — seguiu beneficiando investidores com maior tolerância ao risco.
Mar/26
37,0%
12,0%
20,0%
18,0%
13,0%
Fev/26
30,0%
18,0%
20,0%
19,0%
13,0%
Retorno absoluto
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Fev/26 | 1º Acum. Trim 26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Agressivo | 6,06% | 5,47% | 14,45% | 1,57% | 4,81% | 4,81% | 34,18% |
Retorno com %CDI
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Fev/26 | 1º Acum. Trim 26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Agressivo | 341,06% | 50,61% | 100,83% | 155,32% | 218,47% | 218,47% | 107,58% |
Visão Sofisa Direto
O alívio no câmbio observado no início de 2026 — resultado da forte entrada de capital estrangeiro e da desvalorização global do dólar (DXY) — contribuiu para nova redução nas projeções do IPCA captadas pelo Boletim Focus. Ainda assim, entendemos que parte relevante dos riscos domésticos e internacionais permanece subestimada.
O diferencial de juros, que atualmente sustenta parte do apetite do investidor estrangeiro, tende a diminuir com a queda da Selic, reduzindo a atratividade da renda fixa local e ampliando gradualmente a oferta de crédito. Em paralelo, anos eleitorais historicamente elevam a volatilidade cambial. Por isso, mantemos postura mais cautelosa que o consenso em relação à trajetória esperada de inflação e juros ao longo de 2026.
No cenário internacional, o mandato de Trump continua adicionando incerteza aos mercados, acelerando a reorganização geopolítica e estimulando países — aliados e adversários — a reduzir sua dependência dos Estados Unidos. Com a recente escalada no Oriente Médio, a principal mensagem para os mercados é que o risco deixou de ser episódico e passou a incorporar a possibilidade de um choque mais persistente na oferta global de petróleo. O fechamento do Estreito de Ormuz reacendeu temores de uma disrupção prolongada na cadeia energética, justificando a realocação para ativos de proteção.
O ponto central, neste momento, é que o impacto econômico não decorre apenas do evento militar em si, mas da incerteza quanto à sua duração e aos possíveis desdobramentos. Quanto maior a percepção de um conflito prolongado, maior a probabilidade de pressões inflacionárias globais e, consequentemente, de reprecificação das expectativas de juros em diversas economias. É essa incerteza — e não um cenário base de ruptura imediata no fornecimento — que tem mantido os mercados em postura mais defensiva.
Nesse ambiente, o ouro volta a cumprir seu papel tradicional como principal hedge diante de riscos geopolíticos, alcançando novas máximas, enquanto petróleo e dólar se valorizam em razão do aumento do prêmio de risco global. Para o investidor brasileiro, o canal de transmissão se dá por duas vias: de um lado, a exposição ao ouro, facilmente acessível via ETFs e fundos; de outro, ativos domésticos associados a receitas dolarizadas — como exportadoras de petróleo, mineração e papel e celulose — que atuam como proteção natural diante da apreciação do dólar e de potenciais choques de commodities.
Por fim, avaliamos que os mercados emergentes devem continuar desempenhando um papel estratégico nas alocações globais, favorecidos pelo movimento de diversificação para regiões menos expostas às tensões geopolíticas e por valuations mais atrativos. Esse fluxo tende a continuar beneficiando o mercado brasileiro, ainda que sujeito a realizações no curto prazo e aos desafios domésticos já mencionados.
Diante do contexto de elevada incerteza no ambiente global, além das carteiras recomendadas por perfil — disponíveis no app — mantemos preferência por teses temáticas que se beneficiam das tendências estruturais de desglobalização, realocação de cadeias produtivas e transição energética. Entre essas oportunidades, destacam‑se os temas de defesa, metais preciosos, tecnologia e energia de baixo carbono, complementados por alocações estratégicas em economias emergentes.

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