Panorama Macroeconômico
Setembro foi novamente marcado pela ausência de avanços relevantes no campo diplomático envolvendo o conflito entre Estados Unidos e Irã. Como consequência, a manutenção das restrições à navegação no Estreito de Ormuz continuou sustentando os preços internacionais do petróleo em níveis elevados. Em paralelo, o FED elevou a taxa básica de juros pela primeira vez em três anos, reforçando as preocupações com a persistência das pressões inflacionárias na economia norte-americana.
A combinação entre inflação ainda resistente, incertezas geopolíticas e desafios fiscais tem mantido a curva de juros dos Estados Unidos em patamares elevados. Esse movimento não se restringe à economia americana e vem ganhando relevância em diversos países desenvolvidos. Em um ambiente caracterizado por déficits fiscais persistentes e maiores necessidades de financiamento dos governos, os investidores passaram a exigir remunerações mais elevadas para adquirir títulos soberanos, sobretudo nos vencimentos mais longos.
No Brasil, os indicadores de atividade continuaram apontando para uma desaceleração gradual da economia. Esse cenário, aliado a uma dinâmica inflacionária mais favorável no curto prazo, permitiu ao Banco Central promover nova redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, para 13,75% ao ano. A continuidade desse processo, no entanto, segue condicionada à evolução do quadro inflacionário, fiscal e externo. Em nossa avaliação, o ambiente ainda é compatível com novos cortes de juros ao longo de 2026, embora a intensidade e a duração do ciclo de flexibilização dependam da manutenção da trajetória de desinflação e do comportamento dos riscos fiscais e internacionais.
Desempenho
Desempenho no mês de Setembro, em dólares, dos principais ativos globais
Desempenho
Desempenho no ano de 2026, em dólares, dos principais ativos globais
Cenário Brasil
O mercado acionário brasileiro voltou a ganhar tração ao longo de setembro, beneficiado principalmente pelo fortalecimento dos fluxos de capital estrangeiro. O ambiente de redução gradual dos juros domésticos contribui para diminuir o custo de financiamento das empresas e tende a favorecer ativos de risco. Ao mesmo tempo, a perspectiva de uma disputa eleitoral mais equilibrada seguiu adicionando um componente importante de volatilidade aos mercados locais.
Embora ainda enxerguemos espaço para reduções adicionais da Selic nos próximos meses, entendemos que o ciclo de flexibilização monetária deverá permanecer relativamente limitado. O cenário externo continua cercado de incertezas e temas como inflação global, expansão da dívida pública em economias desenvolvidas, condução da política monetária pelos principais bancos centrais e possíveis choques climáticos sobre commodities, como os observados em episódios de El Niño, seguem demandando monitoramento.
Nos mercados de renda fixa e câmbio, prevaleceu um movimento de compressão dos prêmios de risco. As curvas de juros encerraram o mês em níveis inferiores aos observados no período anterior em todos os vértices, favorecendo o desempenho dos ativos sensíveis à marcação a mercado e contribuindo para um ambiente mais construtivo para os investidores.
Curva de Juros do Brasil
Cenário Internacional
Nos Estados Unidos, a decisão do Federal Reserve de elevar a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4,00% ao ano, era amplamente esperada pelo mercado e reflete a persistência das pressões inflacionárias sobre a economia. Parte desse movimento está associada à recente valorização do petróleo, impulsionada pelo agravamento das tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos, seus aliados e o Irã. Esse contexto também tem influenciado as decisões de política monetária em outras economias relevantes, como o Japão, que igualmente optou por elevar sua taxa de juros em 0,25 ponto percentual.
Paralelamente, cresce a atenção dos investidores em relação à trajetória fiscal norte-americana. O avanço acelerado da dívida pública federal tem ampliado os questionamentos sobre a sustentabilidade das contas públicas no longo prazo e contribuído para a elevação dos prêmios de risco exigidos pelos agentes de mercado. Atualmente, a dívida dos Estados Unidos supera US$ 40 trilhões, evidenciando a velocidade de deterioração fiscal observada nas últimas décadas. Como comparação, o primeiro trilhão de dólares de endividamento levou 192 anos para ser acumulado, enquanto o último trilhão foi adicionado em apenas cinco meses.
A preocupação fiscal também tem se expandido para outras economias desenvolvidas. Em um contexto de déficits persistentes e crescente necessidade de financiamento governamental, os investidores têm demandado retornos mais elevados para financiar o setor público, especialmente nos títulos de longo prazo. Como consequência, a trajetória das taxas de juros soberanas nas principais economias continua entre os temas centrais para os mercados globais e permanece como uma variável relevante para a precificação dos ativos financeiros ao redor do mundo.
| Simulação | Conservador | Moderado | Arrojado | Agressivo |
|---|---|---|---|---|
| Set/26 (%) | 1,12% | 0,92% | 1,45% | 1,61% |
| Set/26 (CDI%) | 103,89% | 84,87% | 133,90% | 149,38% |
| 2026 (%) | 11,35% | 8,30% | 7,93% | 7,63% |
| 2026 (CDI%) | 108,13% | 79,07% | 75,57% | 72,62% |
| Acumulado 30/11/2023 a 30/09/2026 (%) | 46,75% | 37,21% | 37,86% | 37,79% |
| Acumulado 30/11/2023 a 30/09/2026 (CDI%) | 110,07% | 87,62% | 89,14% | 88,97% |
A volatilidade do cenário macroeconômico continuou exercendo influência relevante sobre os ativos financeiros. Em setembro, o fechamento das curvas de juros impactou positivamente o desempenho dos títulos do Tesouro Direto, tanto indexados à inflação quanto prefixados.
Na renda variável, o retorno dos investidores estrangeiros ao mercado local voltou a impulsionar o Ibovespa, com entrada de R$9,1 bilhões, revertendo parcialmente as saídas líquidas observadas nos últimos meses.
Para outubro, promovemos uma ampla revisão dos ativos recomendados, em linha com o lançamento da Carteira Recomendada oficial do Banco Sofisa, agora disponível no app. As novas composições têm como objetivo ampliar a diversificação dos portfólios, capturando oportunidades nos mercados doméstico e internacional de acordo com nossa visão de cenário macroeconômico. A inclusão de ativos alternativos ligados aos setores de semicondutores e ouro, por exemplo, adiciona uma importante fonte de diversificação e potencial de retorno, compatível com cada perfil de investidor.
Perfil Conservador
O perfil conservador apresentou rentabilidade de 1,15%, equivalente a 106% do CDI. As estratégias de renda fixa, especialmente em títulos prefixados e indexados à inflação sem marcação a mercado, disponíveis na prateleira de CDBs, continuaram oferecendo prêmios atrativos para investidores com horizonte de médio e longo prazo.
Out/26
Set/26
Retorno absoluto
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Set/26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Conservador | 2,06% | 11,85% | 15,45% | 1,12% | 11,35% | 46,75% |
Retorno com % do CDI
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Set/26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Conservador | 115,90% | 109,70% | 107,76% | 103,89% | 108,13% | 110,07% |
Perfil Moderado
O principal detrator de performance no mês foi a estratégia Arx Elbrus, que registrou retorno de -0,08%, impactada principalmente pela abertura dos spreads de crédito observada no período. Em contrapartida, o destaque positivo ficou por conta do Vinland Long and Short, que se beneficiou da elevada volatilidade nos mercados de renda variável. Esse ambiente favoreceu operações de valor relativo e arbitragem, contribuindo positivamente para o desempenho da estratégia.
Out/26
Set/26
Retorno absoluto
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Set/26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Moderado | 3,53% | 7,50% | 13,83% | 0,92% | 8,30% | 37,21% |
Retorno com % do CDI
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Set/26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Moderado | 198,54% | 69,46% | 96,53% | 84,87% | 79,07% | 87,62% |
Perfil Arrojado
Na renda variável, o fundo AZ Quest Top Long Biased foi o principal destaque de rentabilidade, registrando retorno de 6,32%, acima do desempenho do Ibovespa, que avançou 5,03% no período. Apesar da recuperação, optamos por substituir a estratégia de renda variável pelo fundo BTG Pactual Synergy Long Only, que busca superar o desempenho do Ibovespa no longo prazo por meio de uma gestão fundamentalista ativa, com possibilidade de alocação de até 20% em ativos no exterior. A estratégia combina uma seleção criteriosa de empresas locais com flexibilidade para diversificação geográfica.
Out/26
Set/26
Retorno absoluto
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Set/26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Arrojado | 5,26% | 6,11% | 14,35% | 1,45% | 7,93% | 37,86% |
Retorno com % do CDI
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Set/26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Arrojado | 296,07% | 56,57% | 100,12% | 133,90% | 75,57% | 89,14% |
Perfil Agressivo
A maior alocação em estratégias multimercado e renda variável elevou a sensibilidade do portfólio à volatilidade dos mercados. Como resultado, o perfil agressivo registrou rentabilidade de 1,62% no período, equivalente a 150% do CDI. Assim como no perfil arrojado, a estratégia de renda variável foi substituída pelo fundo B BTG Pactual Synergy Long Only. Além disso, promovemos a inclusão dos fundos AZ Quest Total Return, Kapitalo K10, BTG Pactual Reference Semicondutores FIM e BTG Pactual Ouro USD Ref FIC FIM, ampliando a exposição a temas estruturais e fontes alternativas de retorno.
Out/26
Set/26
Retorno absoluto
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Set/26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Agressivo | 6,06% | 5,47% | 14,45% | 1,61% | 7,63% | 37,79% |
Retorno com % do CDI
| Perfil | Acum. 23 | Acum. 24 | Acum. 25 | Set/26 | Acum. 26 | Acum. Desde o início |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Agressivo | 341,06% | 50,61% | 100,83% | 149,38% | 72,62% | 88,97% |
Visão Sofisa Direto
No cenário internacional, a combinação entre inflação ainda resiliente, tensões geopolíticas e preocupações fiscais segue sustentando os juros globais em níveis elevados. Os rendimentos dos Treasuries norte-americanos de 10 anos voltaram recentemente a superar o patamar de 5% ao ano, refletindo a percepção de riscos inflacionários e fiscais mais persistentes ao longo do tempo. Nesse contexto, entendemos que a alta promovida pelo Federal Reserve dificilmente marcará o encerramento definitivo do ciclo de aperto monetário. Em nossa avaliação, permanece aberta a possibilidade de novas elevações de juros até o final de 2026, caso a inflação continue apresentando resistência à convergência para a meta e as expectativas de longo prazo permaneçam desancoradas.
No Brasil, a aproximação do calendário eleitoral continua adicionando volatilidade aos mercados e influenciando o apetite ao risco dos investidores. Ainda assim, entendemos que o cenário exige maior seletividade na alocação de recursos, sem necessariamente justificar uma redução ampla da exposição a ativos de risco. Mantemos visão neutra para o Ibovespa no curto prazo, aguardando maior clareza sobre o ambiente político e econômico que se consolidará após as eleições, bem como sobre as diretrizes fiscais e econômicas da próxima administração.
Em termos de alocação, seguimos privilegiando, além das carteiras recomendadas por perfil de risco, temas estruturais com potencial de geração de valor no longo prazo, como a reorganização das cadeias produtivas globais, a transição energética e os investimentos em infraestrutura estratégica. Nesse contexto, mantemos uma visão construtiva para os mercados asiáticos, especialmente diante de estímulos econômicos e perspectivas favoráveis para determinados setores ligados ao consumo, tecnologia e manufatura avançada, com destaque para a China. No Brasil, embora reconheçamos oportunidades seletivas em renda variável, avaliamos que a relação risco-retorno da renda fixa permanece bastante atrativa. Destacamos posições em títulos públicos prefixados, indexados à inflação e pós-fixados, que continuam oferecendo níveis de remuneração interessantes em um ambiente de juros estruturalmente mais elevados. Além da parcela mais defensiva da carteira, estratégias multimercado com potencial de captura dos movimentos de fechamento da curva de juros podem agregar valor aos portfólios, enquanto na renda variável mantemos preferência por setores mais defensivos, como bancos, energia e utilities.

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