Panorama Macroeconômico

O ambiente global permaneceu marcado por elevada incerteza ao longo do mês, refletindo a ausência de avanços concretos no campo diplomático das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O anúncio de cessar-fogo, intercalado por novos episódios de escalada militar envolvendo Estados Unidos, Irã, Israel e Líbano — apesar das tentativas de mediação internacional — manteve os mercados em estado permanente de cautela, especialmente diante das potenciais implicações inflacionárias desse cenário.

O principal vetor de risco seguiu associado à normalização do fluxo no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de energia, somado às exigências norte-americanas relacionadas ao programa nuclear iraniano. A combinação desses fatores continuou alimentando volatilidade nos preços das commodities energéticas e reprecificações relevantes nas expectativas macroeconômicas globais.

Em paralelo, os comunicados pós-decisão dos principais bancos centrais reforçaram uma postura mais cautelosa, refletindo preocupações com a persistência dos choques de oferta decorrentes do conflito. Essa leitura foi corroborada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que revisou para baixo as projeções de crescimento do PIB global e elevou as estimativas de inflação, com impactos mais significativos sobre países altamente dependentes da importação de energia, especialmente na Europa e na Ásia.

No âmbito doméstico, o Brasil, assim como outros países exportadores de petróleo do Hemisfério Ocidental, seguiu se beneficiando da elevação dos preços internacionais. Esse efeito positivo, contudo, vem acompanhado de pressões inflacionárias adicionais, já refletidas nas revisões do Boletim Focus, na inclinação da curva de juros e no discurso do Banco Central do Brasil. Apesar do corte da taxa Selic em 0,25 p.p., para 14,50% a.a., a autoridade monetária manteve um tom vigilante, enfatizando a necessidade de prudência diante da evolução do balanço de riscos.

Desempenho

Desempenho no mês de abril, em dólares, dos principais ativos globais

Desempenho

Desempenho no ano, em dólares, dos principais ativos globais

Cenário Brasil

O mercado doméstico permaneceu fortemente influenciado pelo ambiente geopolítico internacional. As projeções para o IPCA avançaram de forma relevante ao longo do período, superando o teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o que reforçou a sensibilidade dos ativos locais às expectativas de política monetária e às sinalizações do Banco Central.

Ainda assim, o Brasil continuou se beneficiando do fluxo de capital estrangeiro direcionado a economias emergentes e exportadoras de commodities, em um contexto de maior diversificação geográfica dos investimentos globais. Esse movimento ocorreu apesar das preocupações persistentes relacionadas à dinâmica inflacionária, à trajetória dos juros futuros e à sustentabilidade da dívida pública.

No campo da atividade econômica, os indicadores mais recentes sugerem que os efeitos contracionistas da política monetária seguem sendo gradualmente incorporados à economia real. No âmbito microeconômico, a temporada de resultados corporativos voltou a evidenciar a resiliência das empresas, mesmo em um ambiente marcado por elevada incerteza e custos financeiros ainda restritivos.

Gráficos — Juros e Ibovespa

Curva de Juros do Brasil

Cenário Internacional

Apesar da continuidade do conflito no Oriente Médio e da ausência de uma solução definitiva, os mercados globais passaram a refletir o que pode ser descrito como um “novo normal”. Mesmo diante de uma valorização superior a 50% no preço do barril de petróleo desde o início da guerra e em meio a episódios recorrentes de volatilidade, as principais bolsas globais apresentaram desempenho resiliente ao longo do mês.

O mercado acionário norte-americano, em especial, manteve trajetória positiva, com o S&P 500 renovando máximas históricas, sustentado por resultados corporativos robustos e pela solidez do ambiente microeconômico. A leitura implícita é a de que os agentes econômicos seguem acreditando em uma resolução do conflito no curto prazo, sem incorporar, por ora, cenários de ruptura estrutural mais prolongada.

Na Europa e no Reino Unido, as autoridades monetárias optaram por manter as taxas de juros inalteradas, adotando uma postura firme diante do elevado grau de incerteza. O choque energético decorrente do conflito, com alta aproximada de 4,9% nos preços de energia, seguiu pressionando os custos de produção e os preços de alimentos. Postura semelhante foi observada nos bancos centrais do Japão e da China.

Tabela Magrinha
Rentabilidade por Perfil
Simulação Conservador Moderado Arrojado Agressivo
Abr/26 (%) 1,16% 0,96% 0,81% 0,73%
Abr/26 (CDI%) 105,04% 86,99% 73,39% 66,23%
2026 (%) 4,89% 3,72% 4,01% 4,01%
2026 (CDI%) 106,40% 80,90% 87,19% 87,26%
Acumulado 31/10/2023 a 30/04/2026 (%) 38,23% 31,40% 32,84% 33,16%
Acumulado 31/10/2023 a 30/04/2026 (CDI%) 109,67% 90,09% 94,21% 95,13%

Ao longo do mês, o Ibovespa chegou a se aproximar dos 200 mil pontos, impulsionado por uma melhora temporária do apetite ao risco global após a reabertura parcial do Estreito de Ormuz. No entanto, novos episódios de tensão militar e impasses nas negociações entre Estados Unidos e Irã voltaram a elevar o nível de incerteza, reduzindo o ímpeto dos ativos de renda variável. Como resultado, o índice encerrou o mês de abril com leve desvalorização de 0,08%.

Na renda fixa, a abertura dos spreads de crédito manteve pressão sobre a performance dos fundos de infraestrutura. Esse movimento foi intensificado pelo elevado volume de resgates na indústria, levando os spreads a patamares superiores aos observados no mesmo período do ano anterior.

Em contrapartida, a estratégia da classe de multimercados dentro das carteiras recomendadas apresentou desempenho positivo, destacando-se como uma das principais fontes de retorno no mês. Mesmo em um ambiente externo volátil, a gestão conseguiu capturar oportunidades e recuperar parcialmente as perdas observadas em março.

Para maio, optamos por manter as carteiras inalteradas, pois entendemos que a composição atual apresenta uma boa relação risco-retorno, com assimetria favorável no curto, médio e longo prazo.

Perfil Conservador 

O perfil conservador apresentou rentabilidade de 1,15%, equivalente a 105% do CDI. As estratégias em títulos prefixados e IPCA+ (sem marcação a mercado), disponíveis na prateleira de CDBs, seguiram se beneficiando da abertura da curva de juros, oferecendo prêmios mais atrativos para horizontes de médio e longo prazo.

Perfil Conservador — Treemaps + Retorno Absoluto
Perfil Conservador
Composição atual
Mai/26
Perfil Conservador
Composição anterior
Abr/26

Retorno absoluto

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Abr/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Conservador 2,06% 11,85% 15,45% 1,16% 4,89% 38,23%

Retorno com % do CDI

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Abr/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Conservador 115,90% 109,70% 107,76% 105,04% 106,40% 109,67%

Perfil Moderado

 O destaque do mês foi o fundo Kapitalo K10, que apresentou rentabilidade de 3,12%, equivalente a 286% do CDI. A gestão demonstrou elevada capacidade de adaptação às mudanças no ambiente macroeconômico. 

Perfil Moderado — Treemaps + Retorno Absoluto
Perfil Moderado
Composição atual
Mai/26
Perfil Moderado
Composição anterior
Abr/26

Retorno absoluto

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Abr/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Moderado 3,53% 7,50% 13,83% 0,96% 3,72% 31,40%

Retorno com %CDI

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Abr/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Moderado 198,54% 69,46% 96,53% 86,99% 80,90% 90,09%

Perfil Arrojado

 Na estratégia de renda variável, o fundo AZ Quest Top Long Biased chegou a acumular ganhos superiores a 6% ao longo do mês, mas perdeu tração diante da ausência de avanços mais consistentes no conflito geopolítico. Ainda assim, o perfil arrojado encerrou o período com retorno positivo de 0,81%, desempenho superior ao do Ibovespa, que recuou 0,08%.  

Perfil Arrojado — Treemaps + Retorno Absoluto
Perfil Arrojado
Composição atual
Mai/26
Perfil Arrojado
Composição anterior
Abr/26

Retorno absoluto

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Abr/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Arrojado 5,26% 6,11% 14,35% 0,81% 4,01% 32,84%

Retorno com %CDI

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Abr/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Arrojado 296,07% 56,57% 100,12% 73,39% 87,19% 94,21%

Perfil Agressivo

 A maior exposição a estratégias de renda variável resultou em maior sensibilidade à volatilidade, com o perfil agressivo apresentando rentabilidade de 0,73%, equivalente a 67% do CDI. 

Perfil Agressivo — Treemaps + Retorno Absoluto
Perfil Agressivo
Composição atual
Mai/26
Perfil Agressivo
Composição anterior
Abr/26

Retorno absoluto

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Abr/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Agressivo 6,06% 5,47% 14,45% 0,73% 4,01% 33,16%

Retorno com %CDI

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Abr/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Agressivo 341,06% 50,61% 100,83% 66,23% 87,26% 95,13%

Visão Sofisa Direto

Mantemos a avaliação de que a relação risco-retorno nos atuais níveis de preços das bolsas das economias centrais apresenta assimetria desfavorável. Esse cenário tende a continuar favorecendo o direcionamento de fluxos para mercados emergentes, como o Brasil, que se beneficiam de valuations relativamente mais atrativos, menor exposição direta aos principais focos de tensão geopolítica e do movimento global de diversificação geográfica.

Esses fluxos têm potencial para amortecer choques adversos sobre o mercado brasileiro, ainda que permaneçam sujeitos a episódios de realização e aos desafios domésticos previamente mencionados. Para investidores com maior tolerância ao risco, mantemos uma visão construtiva, porém cautelosa, para o Ibovespa.

Na renda fixa, especialmente no segmento de crédito privado, a elevação das projeções inflacionárias e o ajuste das curvas de juros reforçam um ambiente que exige maior seletividade. Para investidores já alocados, recomendamos a manutenção das posições, dado o retorno dos spreads a níveis mais atrativos. Para novas alocações, adotamos postura neutra, com foco em emissores de alta qualidade.

Os fundos multimercado seguem como alternativa estratégica de diversificação, dada sua flexibilidade para atuar em diferentes classes de ativos, com potencial de capturar ganhos em cenários de descompressão de risco e de oferecer mecanismos de proteção em ambientes adversos.

Por fim, diante de um ambiente global ainda marcado por elevada incerteza, seguimos privilegiando, além das carteiras recomendadas por perfil, teses temáticas associadas a tendências estruturais de longo prazo, como a desglobalização, a reorganização das cadeias produtivas e a transição energética. Nesse contexto, destacam-se oportunidades nos segmentos de defesa, metais preciosos, tecnologia e energia de baixo carbono, complementadas por alocações estratégicas em mercados emergentes.