Panorama Macroeconômico

O mês de agosto foi novamente marcado pela ausência de avanços relevantes no campo diplomático envolvendo o conflito entre EUA e Irã. Como consequência, a manutenção das restrições à navegação no Estreito de Ormuz continuou pressionando os preços internacionais do petróleo. Em paralelo, a política comercial associada à agenda MAGA (Make America Great Again), conduzida pelo governo Donald Trump, passou a enfrentar retaliações mais contundentes por parte de importantes parceiros comerciais, como China e Canadá. Embora os impactos sobre os preços ainda permaneçam limitados no curto prazo, o aumento das barreiras comerciais tende a intensificar pressões inflacionárias globais ao longo dos próximos trimestres. Nesse contexto, a popularidade do presidente norte-americano atingiu seu menor nível desde o início do mandato.

No Brasil, a combinação entre o rebaixamento da recomendação para ativos brasileiros pelo JP Morgan, uma temporada de resultados corporativos aquém das expectativas e o aumento das incertezas associadas ao calendário eleitoral contribuiu para uma forte saída de capital estrangeiro ao longo de grande parte do mês. Por outro lado, indicadores domésticos mais benignos, especialmente o IPCA-15 de agosto, que registrou deflação acima das projeções de mercado, fortaleceram a percepção de continuidade do ciclo de flexibilização monetária pelo Banco Central. Esse movimento contribuiu para uma acomodação das curvas de juros e ajudou a amortecer parte das distorções observadas nos preços dos ativos locais.

Desempenho

Desempenho no mês de Agosto, em dólares, dos principais ativos globais

Desempenho

Desempenho no ano de 2026, em dólares, dos principais ativos globais

Cenário Brasil

O mercado acionário brasileiro voltou a operar em um ambiente de elevada volatilidade ao longo de agosto. Diferentemente dos meses anteriores, o principal suporte para a Bolsa veio do investidor doméstico, com participação relevante de investidores institucionais, financeiros e pessoas físicas. A divulgação do IPCA-15, que registrou deflação de 0,4% no período, fortaleceu as expectativas de continuidade do ciclo de flexibilização monetária, contribuindo para a redução das taxas futuras de juros, especialmente nos vértices mais curtos da curva, e favorecendo setores mais sensíveis ao ciclo econômico doméstico.

Por outro lado, a manutenção de juros elevados por um período prolongado continuou impondo desafios ao setor corporativo. Nesse contexto, a Braskem S.A. ingressou com pedido de recuperação extrajudicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, buscando reestruturar aproximadamente US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras, em mais um exemplo dos impactos de um ambiente financeiro restritivo sobre companhias com elevada alavancagem.

Nos mercados de renda fixa e câmbio, prevaleceu um movimento de redução moderada dos prêmios de risco. As curvas de juros encerraram o mês em níveis inferiores aos observados no período anterior em praticamente todos os vértices, favorecendo o desempenho dos ativos sujeitos à marcação a mercado. No mercado cambial, entretanto, a saída líquida de recursos estrangeiros da B3 limitou a sustentação do real frente ao dólar. Como resultado, a moeda brasileira encerrou o mês com desvalorização de 2,17%.

Gráficos — Juros e Ibovespa

Curva de Juros do Brasil

Cenário Internacional

Nos Estados Unidos, apesar da divulgação de indicadores de atividade econômica e inflação mais benignos, o discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, reafirmando o compromisso da autoridade monetária com a convergência da inflação à meta, aumentou a percepção de uma postura mais restritiva e elevou as expectativas de alta de juros na reunião de setembro. Paralelamente, a ausência de avanços nas negociações envolvendo o conflito no Oriente Médio manteve as preocupações com a oferta global de petróleo, ampliando os riscos inflacionários para os próximos meses.

No ambiente corporativo, os investimentos em infraestrutura voltada à inteligência artificial seguem apresentando forte expansão, sem sinais relevantes de desaceleração. Nesse sentido, os resultados da NVIDIA voltaram a superar as expectativas do mercado, reforçando a percepção de resiliência da temática de IA. Ainda assim, o cenário requer cautela. A proximidade das eleições legislativas de meio de mandato e a crescente pressão de comunidades locais contrárias à expansão de grandes projetos de infraestrutura tecnológica adicionam um elemento de incerteza. Eventuais sinais de desaceleração desse ciclo de investimentos poderiam gerar implicações relevantes para as perspectivas de crescimento, inflação e juros nos EUA.

Rentabilidade por Perfil
Rentabilidade por Perfil
SimulaçãoConservadorModeradoArrojadoAgressivo
Ago/26 (%) 1,18% 0,84% 0,87% 0,85%
Ago/26 (CDI%) 108,45% 76,80% 79,55% 77,78%
2026 (%) 10,12% 7,32% 6,40% 5,92%
2026 (CDI%) 108,57% 78,54% 68,64% 63,49%
Acumulado 30/11/2023 a 31/08/2026 (%) 45,12% 35,97% 35,89% 35,60%
Acumulado 30/11/2023 a 31/08/2026 (CDI%) 110,18% 87,83% 87,65% 86,94%

A volatilidade do cenário macroeconômico continuou exercendo influência relevante sobre os ativos financeiros. Em agosto, o fechamento das curvas de juros impactou positivamente o desempenho dos títulos do Tesouro Direto, tanto indexados à inflação quanto prefixados.

Na renda variável, o ambiente permaneceu marcado por elevada volatilidade ao longo do mês. Diferentemente do observado nos períodos anteriores, o desempenho próximo à estabilidade foi sustentado principalmente pelo mercado local, enquanto os investidores estrangeiros registraram saída líquida de recursos.

Para setembro, optamos por manter as carteiras inalteradas. Entendemos que a composição atual equilibra uma postura defensiva, diante do cenário de maior volatilidade nos mercados local e internacional, com uma abordagem oportunística, por meio da exposição ao fundo multimercado Vinland Long and Short. A estratégia busca capturar distorções nos preços relativos entre empresas, assimetrias setoriais e oportunidades em fatores de mercado, reduzindo a dependência da direção dos índices de bolsa e contribuindo para a diversificação das fontes de retorno da carteira.

Perfil Conservador 

 O perfil conservador apresentou rentabilidade de 1,18%, equivalente a 108% do CDI. As estratégias de renda fixa, especialmente em títulos prefixados e indexados à inflação sem marcação a mercado, disponíveis na prateleira de CDBs, continuaram oferecendo prêmios atrativos para investidores com horizonte de médio e longo prazo.  

Perfil Conservador — Treemaps + Retorno Absoluto
Perfil Conservador
Composição atual
Set/26
CDI
MAPFRE CONFIANZA PLUS
50,0%
IMA-B5
CDB IPCA
30,0%
IRFM
CDB Pré
20,0%
Perfil Conservador
Composição anterior
Ago/26
CDI
MAPFRE CONFIANZA PLUS
50,0%
IMA-B5
CDB IPCA
30,0%
IRFM
CDB Pré
20,0%

Retorno absoluto

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Ago/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Conservador 2,06% 11,85% 15,45% 1,18% 10,12% 45,12%

Retorno com % do CDI

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Ago/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Conservador 115,90% 109,70% 107,76% 108,45% 108,57% 110,18%

Perfil Moderado

 O principal destaque positivo do mês veio da estratégia defensiva Mapfre Confianza Plus, além da sólida performance do Arx Elbrus, que apresentou retorno de 1,15%, beneficiando-se do fechamento da curva de juros ao longo do período. Por outro lado, o destaque negativo ficou por conta do multimercado Vinland Long and Short. A elevada volatilidade observada no mercado de renda variável impactou negativamente as posições de valor relativo e arbitragem, pressionando o resultado da estratégia.  

Perfil Moderado — Treemaps + Retorno Absoluto
Perfil Moderado
Composição atual
Set/26
CDI
MAPFRE CONFIANZA PLUS
50,0%
IRFM
CDB Pré
18,0%
Multimercado
IHFA VINLAND LONG SHORT FIF
16,0%
IMA-B5
ARX ELBRUS FIF INFRA RF
16,0%
Perfil Moderado
Composição anterior
Ago/26
CDI
MAPFRE CONFIANZA PLUS
50,0%
IRFM
CDB Pré
18,0%
Multimercado
IHFA VINLAND LONG SHORT FIF
16,0%
IMA-B5
ARX ELBRUS FIF INFRA RF
16,0%

Retorno absoluto

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Ago/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Moderado 3,53% 7,50% 13,83% 0,84% 7,32% 35,97%

Retorno com % do CDI

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Ago/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Moderado 198,54% 69,46% 96,53% 76,80% 78,54% 87,83%

Perfil Arrojado

 Na renda variável, o fundo Az Quest Top Long Biased foi o principal destaque de rentabilidade, registrando retorno de 1,91%, superando o desempenho do Ibovespa, que recuou 0,33%. Apesar da recuperação, entendemos que ainda não é oportuno elevar sua participação na carteira, tendo em vista a persistência das incertezas associadas ao cenário eleitoral e seus potenciais impactos sobre os ativos domésticos. Dessa forma, optamos por manter uma alocação mais equilibrada até que haja maior visibilidade em relação ao cenário macroeconômico e à trajetória dos mercados.

Perfil Arrojado — Treemaps + Retorno Absoluto
Perfil Arrojado
Composição atual
Set/26
CDI
MAPFRE CONFIANZA PLUS
45,0%
Multimercado
IHFA VINLAND LONG SHORT FIF
18,0%
IMA-B5
ARX ELBRUS FIF INFRA RF
15,0%
IRFM
CDB Pré
12,0%
Ibovespa
AZ QUEST TOP LONG BIASED FIF FIC AÇÕES
10,0%
Perfil Arrojado
Composição anterior
Ago/26
CDI
MAPFRE CONFIANZA PLUS
45,0%
Multimercado
IHFA VINLAND LONG SHORT FIF
18,0%
IMA-B5
ARX ELBRUS FIF INFRA RF
15,0%
IRFM
CDB Pré
12,0%
Ibovespa
AZ QUEST TOP LONG BIASED FIF FIC AÇÕES
10,0%

Retorno absoluto

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Ago/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Arrojado 5,26% 6,11% 14,35% 0,87% 6,40% 35,89%

Retorno com % do CDI

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Ago/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Arrojado 296,07% 56,57% 100,12% 79,55% 68,64% 87,65%

Perfil Agressivo

 A maior alocação em estratégias multimercado elevou a sensibilidade do portfólio à volatilidade dos mercados. Como resultado, o perfil agressivo registrou rentabilidade de 0,85% no período, equivalente a 78% do CDI.  

Perfil Agressivo — Treemaps + Retorno Absoluto
Perfil Agressivo
Composição atual
Set/26
CDI
MAPFRE CONFIANZA PLUS
42,0%
Multimercado
IHFA VINLAND LONG SHORT FIF
20,0%
IMA-B5
ARX ELBRUS FIF INFRA RF
14,0%
Ibovespa
AZ QUEST TOP LONG BIASED FIF FIC AÇÕES
13,0%
IRFM
CDB Pré
11,0%
Perfil Agressivo
Composição anterior
Ago/26
CDI
MAPFRE CONFIANZA PLUS
42,0%
Multimercado
IHFA VINLAND LONG SHORT FIF
20,0%
IMA-B5
ARX ELBRUS FIF INFRA RF
14,0%
Ibovespa
AZ QUEST TOP LONG BIASED FIF FIC AÇÕES
13,0%
IRFM
CDB Pré
11,0%

Retorno absoluto

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Ago/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Agressivo 6,06% 5,47% 14,45% 0,85% 5,92% 35,60%

Retorno com % do CDI

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Ago/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Agressivo 341,06% 50,61% 100,83% 77,78% 63,49% 86,94%

Visão Sofisa Direto

No cenário internacional, a ausência de avanços nas negociações envolvendo os Estados Unidos e o Oriente Médio continua sustentando preocupações com a oferta global de petróleo, mantendo pressão sobre os preços da commodity e, consequentemente, sobre a inflação global. Ao mesmo tempo, os mercados seguem amparados pelo otimismo em torno dos investimentos em inteligência artificial e pelos resultados robustos das empresas de tecnologia. No entanto, a combinação de indicadores mais fracos de atividade e emprego, especialmente nos Estados Unidos, com as crescentes discussões sobre a sustentabilidade da dívida pública norte-americana, mantém no radar dos investidores o risco de um ambiente de crescimento econômico mais fraco acompanhado por inflação persistente no médio prazo.

No Brasil, a volatilidade associada à proximidade do calendário eleitoral continua impactando o apetite ao risco dos investidores. Nesse contexto, entendemos que o momento exige maior seletividade na alocação de recursos, sem necessariamente justificar uma redução generalizada da exposição a ativos de risco. Nossa visão para o Ibovespa no curto prazo permanece neutra, até que haja maior clareza sobre o ambiente político e econômico que emergirá após o pleito, bem como sobre as diretrizes de política pública a serem adotadas pela próxima administração. Adicionalmente, a trajetória dos ativos domésticos segue condicionada a fatores relevantes, como a evolução da inflação global, os próximos passos da política monetária norte-americana e os desdobramentos do cenário fiscal brasileiro.

Por fim, seguimos privilegiando, além das carteiras recomendadas por perfil de risco, teses temáticas alinhadas a tendências estruturais de longo prazo, como a reorganização das cadeias produtivas globais, a transição energética e os investimentos em infraestrutura estratégica. Nesse contexto, continuamos identificando oportunidades nos setores de defesa, metais preciosos, tecnologia e energia de baixo carbono, complementadas por exposições seletivas em mercados emergentes, que podem se beneficiar de movimentos de realocação de capital e de transformações estruturais na economia global.