Panorama Macroeconômico

O mês de junho foi marcado por avanços relevantes nas relações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã, culminando na assinatura de um acordo preliminar entre os dois países. O entendimento prevê um cessar-fogo inicial de 60 dias, período destinado à negociação de temas sensíveis e à construção de um acordo de paz definitivo, com possibilidade de extensão. O documento estabelece um memorando de entendimento estruturado em 14 pontos-chave, dentre os quais se destacam a reabertura do Estreito de Hormuz, com o compromisso iraniano de garantir a segurança do tráfego marítimo, garantias formais de não desenvolvimento de armas nucleares e a suspensão parcial das sanções econômicas anteriormente impostas pelos EUA.

Em contrapartida, a decisão e, sobretudo, o comunicado subsequente do Federal Reserve elevaram as preocupações dos agentes econômicos quanto à possibilidade de novas altas de juros nos Estados Unidos ainda neste ano. O mercado passou a incorporar o risco de efeitos inflacionários prolongados, decorrentes do choque de oferta associado ao conflito, o que pode exigir uma postura monetária mais restritiva.

No âmbito microeconômico, essas preocupações se refletiram de forma clara no comportamento dos ativos, especialmente no setor de tecnologia, que apresentou correção na última semana do mês. O movimento ocorreu em meio a uma reavaliação do otimismo excessivo relacionado à inteligência artificial, trazendo novamente ao radar dos investidores questionamentos sobre os níveis de valuation das empresas do segmento.

No Brasil, os ativos locais permaneceram sensíveis ao ambiente global, particularmente por meio dos canais de contágio geopolítico. Ainda assim, fatores domésticos também contribuíram para a volatilidade observada. O comunicado do Copom após a decisão de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual para 14,25% foi mal recebido pelos agentes econômicos. A avaliação predominante foi de inconsistência entre o diagnóstico, que indicava piora nas expectativas de inflação, distanciamento da meta e aceleração da atividade, e a decisão de flexibilização monetária. Como consequência, houve elevação dos prêmios nas curvas de juros intermediárias e longas, pressionando o desempenho tanto da renda fixa quanto da renda variável.

Desempenho

Desempenho no mês de junho, em dólares, dos principais ativos globais

Desempenho

Desempenho no ano, em dólares, dos principais ativos globais

Cenário Brasil

Junho registrou mais um mês de saída líquida expressiva de capital estrangeiro, refletindo-se na depreciação do real e no desempenho negativo do Ibovespa. Esse movimento foi impulsionado pela expectativa de elevação dos juros nos EUA, somada a ruídos políticos domésticos, deterioração nas relações diplomáticas com os norte-americanos e revisão altista das expectativas de inflação. Esses fatores contribuíram para o aumento dos prêmios na curva de juros, levando a novos patamares históricos, títulos como o IPCA+ 2032 chegando a superar 8,50%.

Por outro lado, a ata divulgada na semana subsequente trouxe uma inflexão na leitura do mercado ao enfatizar que o balanço de riscos permanece assimétrico para o lado altista, indicando a necessidade de manutenção de condições monetárias mais restritivas por um período prolongado. Essa sinalização contribuiu para uma acomodação parcial das expectativas.

No campo dos indicadores, os dados de atividade apresentaram leitura mista, sugerindo algum arrefecimento no setor de serviços, enquanto o mercado de trabalho segue pressionado. A inflação medida pelo IPCA-15 registrou alta de 0,41%, com o acumulado em 12 meses chegando a 4,80%, reforçando o cenário desafiador para a política monetária.

Gráficos — Juros e Ibovespa

Curva de Juros do Brasil

Cenário Internacional

Apesar da volatilidade ao longo das negociações entre EUA e Irã, os sinais mais concretos de avanço, em especial a reabertura do Estreito de Hormuz, foram suficientes para sustentar uma redução das tensões geopolíticas. Esse movimento se refletiu na acomodação dos preços do petróleo, que passaram a buscar níveis abaixo de 80 dólares por barril pela primeira vez em mais de três meses. Tal dinâmica contribuiu para um viés mais construtivo nos mercados, ainda que suportado por premissas relativamente frágeis, considerando os efeitos persistentes da disrupção na oferta da commodity.

O mês também foi marcado pelo expressivo IPO da SpaceX, que movimentou significativamente os mercados ao captar 75 bilhões de dólares, impulsionando o desempenho das bolsas globais, especialmente nos EUA e na Ásia. Entretanto, após o forte desempenho na primeira quinzena, o mercado voltou a questionar os níveis de valuation, diante das incertezas quanto ao retorno desses elevados investimentos. Esse movimento foi potencializado pela sinalização de possível elevação de juros nos EUA após a primeira decisão de política monetária sob a gestão de Kevin Warsh no Fed. Como resultado, os yields dos Treasuries avançaram, com os vértices mais longos superando 5%, pressionando os ativos de risco.

Na Europa e no Reino Unido, as decisões de política monetária também refletiram a materialização dos efeitos inflacionários na economia real. O Banco Central Europeu, sob a liderança de Christine Lagarde, promoveu elevação de juros, enquanto o Banco da Inglaterra optou pela manutenção da taxa em 3,75%, apesar de dissenso interno. Em ambos os casos, a alta dos preços de energia, intensificada pelo conflito entre EUA e Irã, segue como principal vetor de pressão inflacionária, evidenciando a dependência estrutural da região por importações energéticas.

Tabela Magrinha
Rentabilidade por Perfil
Simulação Conservador Moderado Arrojado Agressivo
Jun/26 (%) 1,24% 0,70% 0,82% 0,83%
Jun/26 (CDI%) 110,29% 62,73% 73,57% 74,52%
2026 (%) 7,41% 5,39% 4,78% 4,45%
2026 (CDI%) 108,45% 78,89% 69,94% 65,10%
Acumulado 31/10/2023 a 30/06/2026 (%) 41,56% 33,53% 33,83% 33,72%
Acumulado 31/10/2023 a 30/06/2026 (CDI%) 110,09% 88,82% 89,62% 89,34%

Assim como nos meses anteriores, a volatilidade do ambiente macroeconômico seguiu impactando de forma relevante a dinâmica dos prêmios de risco ao longo de junho. A abertura das curvas de juros penalizou os títulos do Tesouro Direto, tanto os indexados à inflação quanto os prefixados.

Nos segmentos de renda variável e multimercados, a instabilidade doméstica também se traduziu em desempenho negativo. O Ibovespa recuou 0,34% no mês, enquanto a rentabilidade acumulada em 2026, que chegou a atingir 23%, passou para 7,15%, evidenciando o impacto da saída de capital estrangeiro e do reajuste nos preços dos ativos locais.

Para julho, optamos por manter as carteiras inalteradas. Entendemos que a relação risco-retorno em todos os perfis apresenta assimetria favorável. Apesar do momentum negativo do Ibovespa, os níveis de valuation mais descontados tendem a voltar a atrair capital estrangeiro, com potencial de benefício adicional em cenários de descompressão de risco. Para os perfis com exposição a multimercados, a flexibilidade da gestão da estratégia Kapitalo continua agregando benefícios de diversificação, além de manter um bom potencial de retorno no médio e longo prazo.

Perfil Conservador 

O perfil conservador apresentou rentabilidade de 1,24%, equivalente a 110% do CDI. As alocações em títulos prefixados e indexados ao IPCA, sem marcação a mercado, disponíveis na prateleira de CDBs, seguiram se beneficiando da abertura da curva de juros, que elevou os prêmios nos horizontes de médio e longo prazo.

Perfil Conservador — Treemaps + Retorno Absoluto
Perfil Conservador
Composição atual
Jul/26
Perfil Conservador
Composição anterior
Jun/26

Retorno absoluto

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Jun/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Conservador 2,06% 11,85% 15,45% 1,24% 7,41% 41,56%

Retorno com % do CDI

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Jun/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Conservador 115,90% 109,70% 107,76% 110,29% 108,45% 110,09%

Perfil Moderado

O desempenho do perfil moderado foi sustentado principalmente pelas estratégias defensivas de renda fixa. A volatilidade no cenário externo, combinada à elevação dos prêmios no ambiente doméstico e à correção do setor de tecnologia nos EUA, pressionou a parcela de multimercados. Nesse contexto, o fundo Kapitalo K10 registrou retorno de -1,12%.

Perfil Moderado — Treemaps + Retorno Absoluto
Perfil Moderado
Composição atual
Jul/26
Perfil Moderado
Composição atual
Jun/26

Retorno absoluto

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Jun/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Moderado 3,53% 7,50% 13,83% 0,70% 5,39% 33,53%

Retorno com %CDI

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Jun/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Moderado 198,54% 69,46% 96,53% 62,73% 78,89% 88,82%

Perfil Arrojado

Apesar do leve recuo do Ibovespa ao longo do mês, a estratégia de renda variável, representada pelo fundo AZ Quest Top Long Biased, apresentou retorno positivo de 2,84%, contribuindo para mitigar os impactos da parcela de multimercados. Com isso, o perfil encerrou o período com rentabilidade de 0,82%, equivalente a 74% do CDI.

Perfil Arrojado — Treemaps + Retorno Absoluto
Perfil Arrojado
Composição atual
Jul/26
Perfil Arrojado
Composição anterior
Jun/26

Retorno absoluto

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Jun/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Arrojado 5,26% 6,11% 14,35% 0,82% 4,78% 33,83%

Retorno com %CDI

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Jun/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Arrojado 296,07% 56,57% 100,12% 73,57% 69,94% 89,62%

Perfil Agressivo

A maior exposição a estratégias de multimercado resultou em maior sensibilidade à volatilidade no período. Como consequência, o perfil agressivo apresentou rentabilidade de 0,83%, equivalente a 75% do CDI.

Perfil Agressivo — Treemaps + Retorno Absoluto
Perfil Agressivo
Composição atual
Jul/26
Perfil Agressivo
Composição anterior
Jun/26

Retorno absoluto

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Jun/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Agressivo 6,06% 5,47% 14,45% 0,83% 4,45% 33,72%

Retorno com %CDI

Perfil Acum. 23 Acum. 24 Acum. 25 Jun/26 Acum. 26 Acum. Desde o início
Agressivo 341,06% 50,61% 100,83% 74,52% 65,10% 89,34%

Visão Sofisa Direto

Mantemos a avaliação de que a relação risco-retorno, nos atuais níveis de preços das bolsas das economias centrais, apresenta assimetria desfavorável. Esse contexto tende a favorecer a realocação gradual de capital para mercados emergentes, que combinam valuations relativamente mais atrativos, menor exposição direta aos principais focos de tensão geopolítica e participação no movimento global de diversificação geográfica.

Contudo, diante do aumento das incertezas, refletido na deterioração das relações com os Estados Unidos e na intensificação dos ruídos políticos domésticos, passamos a adotar uma visão neutra para o Ibovespa, ao menos até que haja maior clareza sobre a evolução do cenário macroeconômico.

Na renda fixa, a recente elevação dos prêmios de risco ampliou o conjunto de oportunidades na classe. A perspectiva de manutenção da taxa CDI em níveis elevados por um período prolongado continua sustentando a atratividade das estratégias pós-fixadas. Ao mesmo tempo, os níveis atuais de prêmio reforçam o apelo de alocações seletivas em instrumentos prefixados e indexados à inflação.

Nesse ambiente, os fundos multimercado mantêm papel relevante na diversificação dos portfólios, em função de sua flexibilidade de alocação e capacidade de capturar oportunidades em movimentos de ajuste e compressão de prêmios de risco.

Por fim, em um cenário global ainda caracterizado por elevada incerteza, seguimos privilegiando, além das carteiras recomendadas por perfil, teses temáticas associadas a tendências estruturais de longo prazo, como a desglobalização, a reorganização das cadeias produtivas e a transição energética. Nesse contexto, destacam-se oportunidades nos segmentos de defesa, metais preciosos, tecnologia e energia de baixo carbono, complementadas por alocações estratégicas em mercados emergentes.