Filipe Villegas
Estrategista de Ações
Acompanhe o conteúdo e veja os melhores BDRs e ETFs para investir em março de 2026.
O mês foi marcado por uma profunda rotação nos mercados globais, com investidores migrando de ativos de tecnologia e software para setores intensivos em capital, commodities e mercados emergentes. A narrativa do chamado “HALO Trade” ganhou corpo, refletindo uma mudança de regime em que empresas com ativos tangíveis e barreiras reais de entrada passaram a ser preferidas frente a modelos de negócio mais vulneráveis à disrupção pela inteligência artificial. O Nasdaq registrou queda relevante no mês, enquanto bolsas europeias e de mercados emergentes renovaram máximas históricas, evidenciando o redirecionamento de capital.
Nos Estados Unidos, a Suprema Corte derrubou as tarifas comerciais impostas via poderes emergenciais, levando o governo Trump a substituí-las por uma tarifa global de 15% sob base legal diferente. Esse cenário manteve a incerteza regulatória elevada, mas posicionou o Brasil como potencial beneficiário relativo. A yield dos Treasuries de 10 anos recuou consistentemente para abaixo de 4%, refletindo tanto a busca por segurança quanto sinais de desaceleração e pressões deflacionárias trazidas pela adoção de IA. O Bitcoin registrou queda acentuada, perdendo mais de um quinto de seu valor no mês, enquanto o ouro renovou máximas históricas. Para março, o mercado acompanhará a evolução do estresse no crédito privado americano, a reunião da OPEP+ e as implicações da contínua rotação setorial sobre os fluxos para emergentes.
O cenário internacional foi dominado por três grandes temas: a reconfiguração tarifária nos Estados Unidos, a rotação global de ativos impulsionada pela narrativa de disrupção da inteligência artificial e os sinais incipientes de estresse no mercado de crédito privado.
A decisão da Suprema Corte americana de derrubar as tarifas baseadas no IEEPA representou um revés para o governo Trump, que respondeu impondo uma tarifa global de 15% sob nova base legal. A alíquota efetiva sobre importações permaneceu elevada, reduzindo apenas marginalmente o impacto estimado sobre inflação e crescimento, mas a incerteza regulatória seguiu como fator de contenção do investimento corporativo.
A economia americana apresentou sinais mistos: o PIB desacelerou, impactado pelo shutdown do governo, mas a demanda privada doméstica se manteve relativamente estável. O mercado de trabalho segue apertado, embora revisões nos dados de emprego tenham lançado dúvidas sobre a real força das contratações. A inflação ao produtor surpreendeu para cima no final do mês, reforçando a leitura de que o Fed não deve cortar juros em breve. O yield dos Treasuries de 10 anos, contudo, recuou consistentemente para abaixo de 4%, refletindo a busca por segurança e as expectativas de que a IA possa exercer pressão deflacionária estrutural sobre a economia.
O fenômeno do HALO Trade reflete uma mudança de regime nos mercados de ações: após uma década de prêmio para empresas de capital leve, o fluxo migra para setores com ativos tangíveis e menos vulneráveis à disrupção tecnológica. Utilities, energia, mineração e infraestrutura foram repreccificados positivamente, enquanto o setor de software sofreu pressão intensa, com posicionamento vendido em níveis recordes segundo dados proprietários. Paralelamente, a preocupação com o mercado de crédito privado se intensificou, com fundos de grandes gestoras reportando dificuldades em seus portfólios e cenários de cauda apontando para possível abertura significativa de spreads em high yield e leveraged loans.
A China contribuiu para o enfraquecimento do dólar ao orientar bancos a reduzir exposição a Treasuries americanos, enquanto o yuan atingiu a maior cotação em quase três anos. Na Europa, o PMI da zona do euro avançou para território de expansão, puxado pela indústria alemã, sinalizando que o impulso fiscal começa a ganhar tração. Nas commodities, o petróleo oscilou entre tensões envolvendo EUA e Irã e perspectivas de excesso de oferta, enquanto o ouro estendeu a sequência de valorização mensal e a prata registrou movimento expressivo de alta.
Estados Unidos:nas últimas semanas de outubro, investidores começaram a se preparar para um possível “pivot do Fed”, que podemos traduzir como decisões de política monetária menos duras “dovish”. A primeira semana de novembro, quando teremos a reunião do FOMC, será essencial para o mercado confirmar essa tese. Nossa opinião é que existe uma boa possibilidade desse movimento ocorrer, o que seria positivo para ativos de risco, como ações e criptoativos. Porém, além da decisão do FOMC, é necessário que os dados da inflação e do mercado de trabalho contribuam para isso. Apesar dessa possível sinalização, ainda não estamos otimistas com todos os setores americanos. Assim, deveremos ser seletivos nas escolhas. A mudança da narrativa da inflação para a da recessão poderá possibilitar a abertura de oportunidades, mas que devem ser executadas com cautela.
Para ações norte-americanas via BDRs, o posicionamento segue orientado pelo tema de infraestrutura e pela cautela com o setor de software, que enfrentou pressão significativa ao longo do mês. A rotação global favorece empresas intensivas em capital e com barreiras reais de entrada, perfil que se alinha à tese do HALO Trade e que deve sustentar a preferência por segmentos ligados a energia, data centers e materiais. O posicionamento técnico extremamente vendido em software e o desconto em múltiplos frente a setores defensivos sugerem que oportunidades seletivas podem surgir em nomes com base contratual sólida e baixo risco de disrupção, mas o momento ainda exige prudência dada a volatilidade do tema.
Na renda fixa, a preferência se mantém em CDI+, com exposição reduzida em prefixados e inflação longa. O recuo dos juros futuros ao longo do mês validou parcialmente essa alocação, mas a surpresa do IPCA-15 reforça a necessidade de cautela com posições mais agressivas na parte curta da curva. Os títulos IPCA longos apresentaram comportamento construtivo mesmo com o dado de inflação ruim, com juros reais recuando para próximo de 7%, o que pode representar oportunidade de alocação gradual caso o cenário de convergência inflacionária se confirme ao longo do semestre.
A carteira BDR 5+ apresentou uma baixa de -4,36% no mês de fevereiro. No mesmo período, o Índice de BDRs (BDRX) obteve um desempenho negativo de -5,06%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade baixa de 3,84% contra uma baixa de -7,96%, no mesmo período, do Índice de BDRs (BDRx). Em relação ao mês de fevereiro, saíram as ações da Asml Holding (ASML34) e Baidu (BIDU34). Com Inclusão das ações da Aura 360 (AURA33) e Taiwan Semiconductor (TSMC34).
A Carteira BDR 5+ tem por objetivo superar a performance do Índice de BDRs Não Patrocinados-GLOBAL (BDRX) no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas BDRs de empresas com volume financeiro médio nos últimos 3 meses, superiores à R$ 1 milhão fazem parte do universo de escolhas.
A carteira RF+ apresentou uma alta de 0,97% no mês de fevereiro. No mesmo período, o CDI obteve um desempenho positivo de 0,94%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade positiva de 2,32% contra uma alta de 2,12%, no mesmo período, do CDI. Em relação ao mês de fevereiro, foi retirado a ETF Tesouro Selic (LFTS11). Com Inclusão da ETF, It Now Selic (LFTI11).

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