Filipe Villegas
Estrategista de Ações
No cenário internacional, o destaque ficou para a mudança de regime que se consolidou ao longo do ano, com a inflação global seguindo em trajetória de perda de força e os principais bancos centrais caminhando para ciclos de afrouxamento monetário. O Federal Reserve entregou o terceiro corte consecutivo de juros em dezembro, com o presidente Powell citando riscos de baixa significativos no mercado de trabalho americano. A comunicação foi lida como menos dura do que o esperado, o que impulsionou as bolsas americanas e aliviou pressão sobre moedas emergentes.
O dólar apresentou tendência de enfraquecimento estrutural, refletindo um questionamento mais amplo sobre as moedas fiduciárias em um mundo marcado por déficits elevados e endividamento crescente nas principais economias desenvolvidas. Esse movimento beneficiou os metais preciosos, com ouro renovando máximas históricas e prata acumulando valorização expressiva ao longo do ano.
O Federal Reserve cortou juros pela terceira vez consecutiva em dezembro, com votação dividida de 9 a 3. A decisão refletiu a avaliação de que os riscos para a inflação estão mais equilibrados, enquanto o mercado de trabalho apresenta sinais de enfraquecimento gradual. Powell deixou claro que a política monetária não está em curso predeterminado e que as decisões serão tomadas reunião a reunião, mantendo a porta aberta para novos cortes caso a economia continue evoluindo conforme esperado.
No Japão, a decisão do Banco Central de elevar juros foi acompanhada por um tom cauteloso, o que enfraqueceu o iene e favoreceu ativos de risco globalmente. Na China, os dados de novembro reforçaram um quadro de crescimento dependente do setor externo, com produção industrial sólida sustentada por exportações, enquanto a atividade doméstica decepcionou com vendas no varejo fracas e investimento em queda. A vitória da direita no Chile confirmou uma tendência mais conservadora na América Latina, reforçando a leitura de que o movimento observado na Argentina não foi um evento isolado.
O tema de Inteligência Artificial passou por ajustes relevantes, com questionamentos sobre valuations, níveis de capex e capacidade de endividamento de algumas empresas do setor. Casos como o da Oracle, que trouxe vendas em nuvem aquém do esperado, alimentaram a ansiedade dos investidores e geraram diferenciação entre subtemas e empresas. O petróleo operou em queda ao menor nível desde o início do ano, refletindo sinais de excesso de oferta e expectativas de negociações de paz na Ucrânia.
Estados Unidos:nas últimas semanas de outubro, investidores começaram a se preparar para um possível “pivot do Fed”, que podemos traduzir como decisões de política monetária menos duras “dovish”. A primeira semana de novembro, quando teremos a reunião do FOMC, será essencial para o mercado confirmar essa tese. Nossa opinião é que existe uma boa possibilidade desse movimento ocorrer, o que seria positivo para ativos de risco, como ações e criptoativos. Porém, além da decisão do FOMC, é necessário que os dados da inflação e do mercado de trabalho contribuam para isso. Apesar dessa possível sinalização, ainda não estamos otimistas com todos os setores americanos. Assim, deveremos ser seletivos nas escolhas. A mudança da narrativa da inflação para a da recessão poderá possibilitar a abertura de oportunidades, mas que devem ser executadas com cautela.
Para a parcela internacional do portfólio, a diversificação regional mostrou-se eficaz ao longo de 2025, com mercados da Europa e Ásia apresentando desempenho superior aos Estados Unidos em termos relativos. A combinação mais equilibrada de estilos e setores, como a performance superior de ações de valor em relação às de crescimento na Europa, contribuiu para melhorar o retorno ajustado ao risco. Um diferencial de crescimento favorável aos mercados emergentes em relação aos desenvolvidos, aliado a valuations mais atrativos, tende a seguir dando suporte ao desempenho das ações de emergentes ao longo de 2026.
A despeito do otimismo com tecnologia e IA, os gestores enxergam este tema como principal risco para 2026. A exposição implícita ao setor cresceu de forma relevante dentro dos índices, tanto em ações quanto em crédito, fazendo com que investidores estejam mais expostos à tese de IA do que nunca, muitas vezes de forma pouco percebida. Isso reforça a importância do rebalanceamento e da diversificação, com preferência por portfólios mais equilibrados e menor concentração nos nomes que lideraram as altas recentes.
A carteira BDR 5+ apresentou uma alta de 0,49% no mês de dezembro. No mesmo período, o Índice de BDRs (BDRX) obteve um desempenho positivo de 3,30%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade alta de -1,82% contra uma alta de 8,42%, no mesmo período, do Índice de BDRs (BDRx). Em relação ao mês de dezembro, saíram as ações da Broadcom (AVGO34), Intel (ITLC34) e Nu Holdings (ROXO34). Com Inclusão das ações da Aura 360 (AURA33), Micron Technology (MUTC34) e Sigma Lithium (S2GM34).
A Carteira BDR 5+ tem por objetivo superar a performance do Índice de BDRs Não Patrocinados-GLOBAL (BDRX) no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas BDRs de empresas com volume financeiro médio nos últimos 3 meses, superiores à R$ 1 milhão fazem parte do universo de escolhas.
A carteira RF+ apresentou uma alta de 0,78% no mês de dezembro. No mesmo período, o CDI obteve um desempenho positivo de 1,11%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade positiva de 14,48% contra uma alta de 14,20%, no mesmo período, do CDI. Em relação ao mês de dezembro, não houve alteração da carteira, apenas dos pesos dos ativos.

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