Carteira Recomendada de BDRs e ETFs – Outubro 2026

Carteira Recomendada de BDRs e ETFs – Outubro de 2026

Foto de perfil divertido com frase engraçadaFilipe Villegas
Estrategista de Ações

 

Outubro é o mês da eleição, com o primeiro turno no dia 4 e o segundo no dia 25, e as pesquisas chegam à reta final em empate técnico. O orçamento de 2027 não estabiliza a dívida pública, e o que vai mexer com juros, câmbio e bolsa é o rumo que o eleito indicar para as contas.

No caminho da continuidade, a bolsa americana passa a fazer as vezes de segundo seguro cambial, e o peso dela na alocação de referência dobra, de 10% para 20%. Na alternância de poder, fica em 10%, porque a assimetria mais clara passa a estar no Brasil, não lá fora. O cenário externo favorece o dólar. O Federal Reserve voltou a subir juros em 16 de setembro, para o intervalo entre 3,75% e 4,00%, quando o mercado apostava no caminho oposto. A Genial espera mais uma alta em dezembro e a continuidade do aperto em 2027. O título de dez anos do Tesouro americano fechou 29 de setembro em 5,26%, e o dólar, em R$ 5,22 pela PTAX.

Aqui dentro, o Copom cortou a Selic para 13,75% em setembro, mas a ponta longa da curva segue carregando dois prêmios ao mesmo tempo, o fiscal e o dos juros americanos. Por isso a RF+ fica no juro curto, e a perna Brasil desta carta é o ETF de Ibovespa da ETF Macro, que segue com 20% em outubro.

O que vigiamos em outubro. O emprego americano de setembro sai no dia 2, o primeiro turno é no dia 4 e o IPCA de setembro sai no dia 9. O reajuste do Bolsa Família começa a valer no dia 19, entre um turno e outro, e o segundo turno é no dia 25. O Fed decide no dia 28, e não há reunião do Copom no mês. Nos BDRs, o mês abre com a leitura do resultado da Micron, divulgado em 30 de setembro depois do fechamento. No dia 24, a Moderna faz um webcast para investidores, e a companhia vai levar dados adicionais da vacina contra melanoma ao congresso europeu de oncologia.

De onde viemos. Setembro começou com a RF+ alinhada à Carta do Estrategista, com o caixa remunerado no centro. Na carteira de BDRs, a lista combinava o ciclo de investimento em inteligência artificial com três posições de diversificação: segurança digital, consumo e biotecnologia.

O que o mês revelou. O juro americano subiu quando o mercado esperava o contrário. Mesmo assim, a tese de inteligência artificial seguiu firme nos resultados: a receita de data center da AMD mais que dobrou no segundo trimestre, e a segurança digital passou a ser vendida também como proteção para agentes de IA. No Brasil, a eleição virou o principal evento de reprecificação dos ativos, e o crédito mostrou o custo do juro alto, com inadimplência recorde e recuperações judiciais chegando ao agronegócio.

Para onde apontamos. Na carteira recomendada de BDRs, a AMD entra no lugar da Airbnb, e a lista fica mais concentrada no ciclo de inteligência artificial, com Micron, AMD e Intel ao lado da CrowdStrike e da Moderna.

Já a a RF+ tira cinco pontos do crédito privado e os põe no prefixado, e mantém a inflação no prazo curto.

Carteira BDR 5+

A carteira BDR 5+ apresentou alta de 17,20% no mês de setembro. No mesmo período, o índice de BDRs (BDRX) teve alta de 1,86%. No ano de 2026, a carteira acumula alta de 65,32%. Em relação ao mês de setembro, saiu o BDR da Airbnb (AIRB34). Com inclusão do BDR da AMD (A1MD34).

 
 

A Airbnb sai por perda de momento, com o resultado em ordem: a receita do segundo trimestre veio acima do esperado e a companhia elevou a previsão de crescimento do ano. A AMD entra como a segunda aposta direta no data center de inteligência artificial, ao lado da Micron. Com a troca, três das cinco posições da carteira recomendada de BDRs dependem do ciclo de semicondutores, e esse é o ponto de atenção do mês: a carteira ganhou foco e perdeu o contrapeso de consumo.

A Carteira BDR 5+ tem por objetivo superar a performance do Índice de BDRs (BDRX) no longo prazo, escolhendo entre os recibos de ações estrangeiras negociados na B3 os cinco com melhor leitura de momento e fundamento, revistos a cada mês.

M1RN34 · Moderna

Segue na carteira com uma tese que mudou de natureza: de recuperação para execução em oncologia. A vacina individualizada contra melanoma, desenvolvida com a Merck, cumpriu o objetivo principal num estudo de Fase 3, e a agência americana de medicamentos aprovou a primeira vacina de gripe da empresa feita com RNA mensageiro. O webcast para investidores do dia 24 é o evento do mês. O ponto de atenção é o resultado: nos doze meses até junho, a companhia teve prejuízo de cerca de US$ 3,2 bilhões, e o preço passou a depender de a oncologia virar receita.

MUTC34 · Micron

Permanece como a posição mais ligada à memória para inteligência artificial. A companhia fornece a memória de alta largura de banda usada nos aceleradores e já embarca a geração HBM4. Negocia a cerca de 24 vezes o lucro dos últimos doze meses, pela brapi, e a cerca de 7 vezes o projetado, pelo consenso LSEG. O resultado do trimestre saiu em 30 de setembro, à noite: receita de US$ 54,2 bilhões, acima dos US$ 51,1 bilhões esperados pelo consenso LSEG, lucro por ação ajustado de US$ 33,42, contra US$ 31,61 esperados, e margem bruta ajustada de 87,0%, recorde da companhia. Para o trimestre seguinte, a Micron projeta receita de US$ 61,5 bilhões.

A1MD34 · AMD

Entra como a segunda aposta direta no data center de inteligência artificial. Principal desafiante da Nvidia nos aceleradores, a AMD viu a receita crescer 50% no segundo trimestre, para US$ 11,5 bilhões, e a de data center mais que dobrar, para US$ 6,7 bilhões. Em setembro, anunciou a compra da World Labs, de IA para ambientes 3D, por US$ 8,2 bilhões em ações. É cara pelo lucro contábil, perto de 150 vezes o dos últimos doze meses (brapi).

C2RW34 · CrowdStrike

Permanece como a perna de receita recorrente da carteira, agora ligada à IA. A plataforma de segurança digital por assinatura teve, no segundo trimestre fiscal, receita de US$ 1,47 bilhão, acima do esperado, e receita recorrente anual de US$ 5,84 bilhões, alta de 25%, e a companhia elevou a previsão do ano. Em setembro, chegou aos marketplaces da Anthropic e da OpenAI e lançou produtos de segurança para agentes de IA. O lucro contábil dos doze meses até julho foi de cerca de US$ 45 milhões, menos de 1% da receita, e o preço se apoia no crescimento.

ITLC34 · Intel

Permanece como a aposta de virada industrial, agora financiada e com cliente âncora. A companhia captou US$ 20 bilhões em ações para bancar a fabricação de chips para terceiros, e a Tesla foi confirmada como cliente do processo 14A a partir de 2028. O investimento previsto para o ano subiu de US$ 18 bilhões para US$ 20 bilhões. O ponto de atenção é o prazo: as fábricas de Ohio foram adiadas para 2030 e 2031, e a companhia teve prejuízo de cerca de US$ 11 bilhões nos doze meses até junho. O que decide a tese é a execução das fábricas.

 
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Carteira RF+

 A carteira RF+ apresentou alta de 1,30% no mês de setembro, contra 1,01% do CDI. No ano de 2026, acumula alta de 10,24%. Em relação ao mês de setembro, não houve entradas nem saídas: mudaram dois pesos. 

Composição de outubro: Tesouro Selic 45%, debêntures DI 20%, prefixados 20% e IPCA+ curto 15%.

O prefixado sobe de 15% para 20%, e o crédito privado cai de 25% para 20%. A mudança tem base no estudo de 28 de setembro, que aponta inadimplência no maior patamar já registrado e uma onda de recuperações judiciais que passou a atingir com força o agronegócio. A ligação entre esse alerta e o corte do crédito é leitura nossa: o estudo não tem linha de crédito privado. Dentro só da renda fixa, as duas carteiras de referência do estudo põem entre 17% e 25% em prefixado, e a RF+ fica no meio, com 20%. A perna de inflação continua curta, em IMA-B5, pelo mesmo motivo de setembro: proteção real sem aposta na ponta longa, que carrega o prêmio fiscal e o dos juros americanos. O Tesouro Selic segue com 45%, como âncora de carrego.

A Carteira RF+ é a carteira de renda fixa da casa montada só com ETFs listados na B3, para quem quer a visão de juros da Carta do Estrategista sem montar uma escada de títulos. Os pesos fazem parte da recomendação.

LFTI11 · ETF Tesouro Selic

Segue como o caixa remunerado da carteira, com os mesmos 45%. O ETF replica o Índice Teva Tesouro Selic, só títulos Tesouro Selic de prazo curto, com taxa de 0,15% ao ano, e rende perto do CDI, que estava em 13,65% ao ano em 29 de setembro. É a âncora que faz esta carteira entregar carrego previsível num mês de eleição. O estudo de 28 de setembro ressalva que, num cenário de dominância fiscal, o risco do CDI é o de perder poder de compra, e é por isso que ele divide a carteira com a proteção contra inflação.

GICP11 · ETF Debêntures DI (crédito privado)

A perna de crédito privado cai de 25% para 20%. O ETF replica um índice de debêntures atreladas ao CDI mais um prêmio, com vencimentos entre dois e dez anos, teto de 2% por emissor e rebalanceamento mensal. O índice já exclui emissores em recuperação judicial ou inadimplentes, então o risco que reduzimos é o de spread e de prazo. Entre as maiores posições do índice estão Rede D'Or, Eletrobras, Sabesp e Localiza. Um ponto de execução: o ETF gira perto de R$ 80 mil por dia, em média, e é um dos três de menor liquidez das nossas carteiras.

IRFM11 · ETF Prefixado IRF-M

É a aposta de ciclo da carteira, que sobe de 15% para 20%. O ETF replica o IRF-M P2 da ANBIMA, cesta de prefixados do Tesouro com prazo médio mantido igual ou acima de dois anos, com taxa de 0,2% ao ano. Captura o juro alto de hoje e ganha valor se os cortes da Selic continuarem. A curva de 29 de setembro embutia só um corte pequeno em novembro, então a posição não paga por um ciclo longo. O risco é a inflação piorar no quarto trimestre, como a casa espera, e interromper os cortes.

B5P211 · ETF IMA-B5

É a proteção contra inflação, com 15% e prazo curto de propósito. O ETF replica o IMA-B5 P2 da ANBIMA: títulos Tesouro IPCA+ com vencimento em menos de cinco anos, com taxa de 0,2% ao ano. Protege o poder de compra sem a oscilação da ponta longa da curva, e tinha patrimônio de R$ 4,35 bilhões em 29 de setembro. É o IPCA+ curto que o estudo de 28 de setembro mantém em 15% no caminho da continuidade, e o IPCA-15 de setembro, acima de todas as estimativas, mostra por que a posição segue na carteira.

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