Filipe Villegas
Estrategista de Ações
Acompanhe o conteúdo e veja as melhores ações para investir em abril de 2026.
No mês de março, o mercado brasileiro foi dominado por um único eixo: o conflito no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã e seus desdobramentos sobre o preço do petróleo e as condições financeiras globais. O que começou como um choque geopolítico localizado rapidamente se converteu em um evento de reprecificação ampla de ativos, com o petróleo registrando valorização mensal sem precedentes recentes, arrastando curvas de juros, câmbio e prêmios de risco ao redor do mundo. Para o Brasil, o mês revelou uma dinâmica paradoxal: enquanto a aversão a risco global castigou mercados emergentes e desenvolvidos de forma indiscriminada, os ativos brasileiros demonstraram resiliência notável, sustentados pela condição de exportador líquido de commodities, pelo diferencial de juro real mais elevado da região e por um fluxo estrangeiro que seguiu positivo mesmo durante as semanas de maior estresse.
O Ibovespa encerrou março com recuo moderado, porém significativamente inferior às perdas observadas em Wall Street e nas bolsas europeias, consolidando o Brasil como destino preferencial dentro do universo emergente. A decisão do Copom de iniciar o ciclo de cortes com redução de vinte e cinco pontos-base, levando a Selic a 14,75%, representou o primeiro afrouxamento monetário em quase dois anos e confirmou a leitura de que o patamar restritivo acumulado oferece margem de manobra. Para abril, a direção dos mercados seguirá condicionada ao desfecho do conflito no Oriente Médio e à trajetória do petróleo, variáveis que definem desde o espaço para novos cortes de juros até o apetite por risco nos mercados globais.
O Ibovespa é negociado a 9,2 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, um patamar 12% abaixo da média histórica de 10,5 vezes. Quando se excluem Petrobras e Vale do cálculo, o múltiplo sobe para 10,9 vezes, ainda assim com desconto de 9% frente à média de 12,0 vezes. Nos dois recortes, o mercado brasileiro segue sendo negociado abaixo do que historicamente se considera o preço justo.
Entre os segmentos, as empresas ligadas à economia doméstica apresentam múltiplo de 10,0 vezes, com desconto modesto de 3% sobre sua média de 10,3 vezes. Já as exportadoras mostram um distanciamento maior, negociadas a 9,5 vezes, o que representa 16% abaixo da referência histórica de 11,2 vezes.
O destaque fica com as Small Caps, que registram o maior desconto entre todos os recortes: são negociadas a 9,0 vezes o lucro projetado, impressionantes 33% abaixo da média histórica de 13,4 vezes. As Mid-Large Caps, por sua vez, operam a 9,1 vezes, com desconto de 10% em relação à média de 10,1 vezes. O cenário geral aponta para uma bolsa que, em praticamente todos os recortes de tamanho e perfil, segue precificada abaixo dos patamares históricos.
A trajetória macroeconômica brasileira em março foi moldada pela interação entre dois vetores: o choque externo de energia e os desafios domésticos já conhecidos. Na frente monetária, o Copom cortou a Selic em vinte e cinco pontos-base, de 15% para 14,75%, em decisão unânime que marcou o primeiro movimento de afrouxamento sob a gestão de Gabriel Galípolo. O comunicado, contudo, trouxe uma mudança significativa de linguagem: o Banco Central removeu o forward guidance e adotou postura de dependência de dados, sinalizando que a continuidade e o ritmo dos cortes estarão condicionados à evolução do cenário externo, em particular ao preço do petróleo e seus efeitos sobre a inflação. Roberto Motta, estrategista macro da Genial Investimentos, avaliou a decisão como correta, destacando que o juro real no Brasil permanece no nível mais restritivo da última década e que há margem para ajustes adicionais, ainda que o choque energético imponha cautela.
Os dados de atividade confirmaram os primeiros sinais de desaceleração. O mercado de trabalho, embora ainda apertado, apresentou indícios iniciais de acomodação, com leve deterioração na taxa de desemprego e alguma moderação nos salários, enquanto as concessões de crédito perderam tração e o endividamento das famílias atingiu patamar recorde. A confiança empresarial recuou em março, refletindo a conjunção de incerteza externa e condições financeiras restritivas. Na frente inflacionária, o IPCA-15 surpreendeu ao vir acima de todas as estimativas, pressionado por alimentos e despesas pessoais, embora os núcleos de serviços tenham apresentado desaceleração. A leitura predominante é de que a piora inflacionária concentra-se em janelas curtas, impulsionada pelo repasse do petróleo, e não por um processo generalizado de desancoragem.
No campo fiscal, o déficit primário permaneceu moderado, mas a dívida pública seguiu em trajetória ascendente, aproximando-se de patamares elevados. O caso do Banco Master revelou fragilidades regulatórias relevantes no sistema financeiro, com impacto potencial sobre o custo de captação de bancos menores e plataformas de investimento. O cenário eleitoral ganhou protagonismo ao longo do mês, com pesquisas indicando avanço de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto e deterioração contínua da aprovação do governo Lula, em níveis historicamente incompatíveis com reeleição. A definição de Ronaldo Caiado como candidato do PSD adicionou uma terceira via ao tabuleiro, embora a polarização entre os dois candidatos principais siga como dinâmica dominante. O mercado ainda precifica pouco o risco eleitoral, o que configura uma opcionalidade que pode se materializar como catalisador para os ativos locais nos próximos meses.
Estados Unidos:nas últimas semanas de outubro, investidores começaram a se preparar para um possível “pivot do Fed”, que podemos traduzir como decisões de política monetária menos duras “dovish”. A primeira semana de novembro, quando teremos a reunião do FOMC, será essencial para o mercado confirmar essa tese. Nossa opinião é que existe uma boa possibilidade desse movimento ocorrer, o que seria positivo para ativos de risco, como ações e criptoativos. Porém, além da decisão do FOMC, é necessário que os dados da inflação e do mercado de trabalho contribuam para isso. Apesar dessa possível sinalização, ainda não estamos otimistas com todos os setores americanos. Assim, deveremos ser seletivos nas escolhas. A mudança da narrativa da inflação para a da recessão poderá possibilitar a abertura de oportunidades, mas que devem ser executadas com cautela.
Os principais índices da bolsa brasileira estão sendo negociados em um nível técnico situado entre a média de 6 meses e o segundo desvio padrão. Isso significa que, embora o momento ainda não seja o mais favorável para compras, houve uma melhora relevante em comparação com o cenário recente.
Para quem avalia novas entradas, as Small Caps se destacam como a opção com melhor relação entre risco e retorno, já que seus preços estão muito próximos da média de 6 meses. Ainda assim, o cenário externo exige cautela, o que pede atenção redobrada antes de qualquer movimentação.
Para investidores com visão de longo prazo, a recomendação é de moderação: em caso de novos aportes, o ideal é reduzir o volume investido neste momento ou simplesmente manter a posição atual sem ampliações significativas.
O mês de março testou de forma contundente as convicções que sustentavam o posicionamento em ações brasileiras. A Carta dos Estrategistas publicada no início do mês já antecipava que o petróleo em patamares elevados seria suficiente para alterar expectativas e exigir revisão de posicionamento, e os eventos confirmaram essa leitura com intensidade superior à prevista. As carteiras recomendadas entraram o mês com foco em empresas domésticas beneficiárias do ciclo de cortes de juros e exposição seletiva a exportadoras, refletindo a tese de que o fluxo estrangeiro e o início do afrouxamento monetário sustentariam a valorização do mercado. A surpresa veio pela magnitude do choque energético, que reconfigurou o balanço de riscos e alterou a dinâmica entre setores.
O que março revelou foi uma compressão significativa nos valuations que trouxe o mercado brasileiro para patamares de desconto em relação às médias históricas. O Ibovespa passou a ser negociado abaixo da sua média histórica de preço sobre lucro projetado, com as small caps apresentando o maior desconto da bolsa, em níveis não vistos desde o período mais agudo da pandemia. As exportadoras, que entraram o mês com avaliação apenas marginalmente abaixo da média, tiveram seus múltiplos comprimidos ainda mais, configurando o que a equipe de análise da Genial Investimentos identifica como a melhor janela de assimetria para essa classe de ativos no ano. Em paralelo, o earnings yield da bolsa brasileira, que compara o retorno implícito das ações com o de títulos públicos indexados à inflação, deteriorou-se para níveis não observados desde a pandemia, refletindo o patamar extraordinário dos juros reais.
O fluxo estrangeiro permaneceu como principal sustentáculo do mercado. Em março, mesmo durante o período de conflito e aversão a risco global, o capital estrangeiro registrou entrada expressiva na B3, configurando o segundo melhor fluxo da história para o Brasil, atrás apenas de 2022. Este dado é particularmente significativo porque ocorre em um contexto de saídas relevantes de mercados emergentes no agregado, o que reforça a tese de diferenciação do país como produtor de commodities, exportador de energia e detentor do maior juro real da região. Os investidores institucionais, por sua vez, seguiram na ponta vendedora, enquanto a pessoa física apresentou entrada modesta no mês.
Para abril, o posicionamento reflete a postura mais conservadora adotada ao final de março. A exposição ao mercado doméstico foi reduzida, especialmente em empresas sensíveis à curva de juros, dado que o petróleo em patamares elevados tende a limitar o espaço para cortes e pode, em cenários mais adversos, levar à manutenção ou até reversão da trajetória de afrouxamento. A tese de Petrobras como melhor combinação de retorno ao acionista e disciplina de capital entre as empresas de exploração e produção da América Latina segue com saúde elevada: o pilar de petróleo acima dos patamares de referência se fortaleceu significativamente, embora o retorno via dividendos tenha se comprimido com a valorização expressiva da ação. Setores como elétrico e saneamento se destacaram como os de melhor desempenho relativo ao Ibovespa em 2026, beneficiados pela busca por previsibilidade de resultados em um ambiente de volatilidade elevada. A principal oportunidade reside nas small caps e exportadoras, cujos múltiplos descontados oferecem assimetria favorável, desde que o investidor tenha horizonte adequado e tolerância ao cenário de incerteza que prevalecerá enquanto o conflito no Oriente Médio não encontrar desfecho.
A carteira Ibovespa 10+ apresentou uma baixa de -8,09% no mês de março. No mesmo período, o Ibovespa obteve um desempenho negativo de -0,70%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade positiva de 5,63% contra uma alta de 16,35% do Ibovespa. Em relação ao mês de março, saíram as ações da Aliansce Sonae (ALOS3), Alpargatas (ALPA4), JHSF (JHSF3), Lavvi (LAVV3) e Movida (MOVI3). Com Inclusão das ações da Copel (CPLE3), Eneva (ENEV3), Petro Rio (PRIO3), SLC Agricola (SLCE3) e Vibra (VBBR3).
A carteira Ibovespa 5+ apresentou uma baixa de -5,34% no mês de março. No mesmo período, o Ibovespa obteve um desempenho negativo de -0,70%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade positiva de 12,46% contra uma alta de 16,35% do Ibovespa. Em relação ao mês de março, saíram as ações da Aliansce Sonae (ALOS3), BTG Pactual (BPAC11), Itaú Unibanco (ITUB3) e Vale (VALE3). Com Inclusão das ações da Copasa (CSMG3), Eneva (ENEV3), Petro Rio (PRIO3) e Vibra (VBBR3).
A Carteira Ibovespa 5+ é divulgada mensamente no jornal Valor Econômico, e tem por objetivo superar a performance do Ibovespa no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ações de empresas com volume financeiro médio nos últimos 3 meses, superiores à R$ 5 milhões e pertencentes ao Ibovespa fazem parte do universo de escolhas.
A carteira Small Caps 8+ apresentou uma baixa de -7,14% no mês de março. No mesmo período, o índice Small (SMLL) obteve um desempenho negativo de -5,77%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade positiva de 5,31% contra uma alta de 5,75%, no mesmo período, do índice Small (SMLL). Em relação ao mês de março, saíram as ações da Aliansce Sonae (ALOS3), Alpargatas (ALPA4), BR Partners (BRBI11) e Lavvi (LAVV3). Com Inclusão das ações da Banrisul (BRSR6), Metal Leve (LEVE3), Pague Menos (PGMN3) e SLC Agricola (SLCE3).
A carteira Micro Caps 5+ apresentou uma baixa de -8,77% no mês de março. No mesmo período, o índice Small (SMLL) obteve um desempenho negativo de -5,77%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade negativa de -2,27% contra uma alta de 5,75%, no mesmo período, do índice Small (SMLL). Em relação ao mês de março, saíram as ações da Estapar (ALPK3), BR Partners (BRBI11), Trisul (TRIS3) e Wiz Seguros (WIZC3). Com Inclusão das ações da Eucatex (EUCA4), Recrusul (RCSL4), Technos (TECN3) e Westing (WEST3).
A Carteira Micro Caps 5+ tem por objetivo superar a performance do Índice Small (SMLL) no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ações de empresas cujo valor de mercado é de até R$ 2 bilhões e com volume financeiro médio nos últimos 3 meses, superiores à R$ 1 milhão fazem parte do universo de escolha.
A carteira Dividendos 5+ apresentou uma baixa de -5,87% no mês de março. No mesmo período, o Índice Dividendos (IDIV) obteve um desempenho negativo de -0,23%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade positiva de 13,09% contra uma alta de 15,13%, no mesmo período, do Índice Dividendos (IDIV). Em relação ao mês de março, saíram as ações da Auren Energia (AURE3), JHSF (JHSF3), Lavvi (LAVV3) e Vulcabras (VULC3). Com Inclusão das ações da Itaú Unibanco (ITUB3), Petrobras PN (PETR4), Vale (VALE3) e Vibra (VBBR3).
A Carteira Dividendos 5+ tem por objetivo superar a performance do Índice Dividendos (IDIV) no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ações de empresas com volume financeiro médio nos últimos 3 meses, superiores à R$ 10 milhões e pertencentes ao Índice de Dividendos (IDIV) fazem parte do universo de seleção.
A carteira ESG 5+ apresentou uma baixa de -3,77% no mês de março. No mesmo período, o Índice de Sustentabilidade (ISE) obteve um desempenho negativo de -2,39%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade positiva de 12,10% contra uma alta de 11,26%, no mesmo período, do Índice de Sustentabilidade (ISE). Em relação ao mês de março, saíram as ações da Aliansce Sonae (ALOS3), BTG Pactual (BPAC11) e RaiaDrogasil (RADL3). Com Inclusão das ações da Copel (CPLE3), Eneva (ENEV3) e Vibra (VBBR3).
A Carteira ESG 5+ tem por objetivo superar a performance do Índice de Sustentabilidade (ISEE) no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ações de empresas com volume financeiro médio nos últimos 3 meses, superiores à R$ 10 milhões e pertencentes ao Índice de Sustentabilidade (ISEE) fazem parte do universo de seleção.

Data base da informação: 02/2022. Rentabilidade passada não apresenta garantia de rentabilidade futura. A rentabilidade divulgada já é líquida da taxa de administração, mas não é líquida de impostos (IR e IOF), exceto para os Fundos de Debêntures Incentivadas. Leia sempre o prospecto e o regulamento antes de investir. Fundos de investimento não contam com garantia do administrador, do gestor, de qualquer mecanismo de seguro ou Fundo Garantidor de Crédito - FGC. Para a avaliação da performance de um fundo de investimento, é recomendável a análise de, no mínimo, 12 (doze) meses.