Filipe Villegas
Estrategista de Ações
Acompanhe o conteúdo e veja as melhores ações para investir em setembro de 2026.
Agosto teve duas metades, e o saldo entre elas esconde o que interessa. Na primeira quinzena a bolsa caiu, pressionada pelos papéis que dependem de lucro distante no tempo; na segunda ela devolveu quase tudo, com oito pregões seguidos de alta, e o Ibovespa fechou o mês praticamente de lado, em queda de 0,33%. O que mudou de verdade foi a liderança: quem puxou a recuperação da segunda quinzena não é quem puxava a alta em julho. O mercado trocou de estilo no meio do caminho, saindo do caixa presente para as histórias de recuperação, e é essa rotação que manda na carteira recomendada deste mês.
O pano de fundo doméstico ajudou a virada. A curva de juros passou a embutir uma trajetória de queda da Selic ao longo dos próximos trimestres, a inflação seguiu dando notícias melhores, e a eleição ficou competitiva o suficiente para o mercado voltar a precificar cenários em vez de um resultado só. Lá fora, a expectativa de corte de juros nos Estados Unidos deu fôlego aos ativos de risco e enfraqueceu o dólar na margem, o que costuma abrir espaço para os emergentes.
Setembro concentra o risco num único dia: no dia 16 saem, com poucas horas de diferença, a decisão do Federal Reserve e a do Copom. Junte a isso o calendário eleitoral e você tem um mês em que uma pequena mudança de probabilidade move muito preço, nos dois sentidos. Para esse ambiente, a leitura da casa é de equilíbrio entre resultado presente e recuperação, e não de aposta única em um dos lados.
Nos índices locais, agosto terminou com queda de 0,33% do Ibovespa, queda de 1,26% do índice de small caps, queda de 1,65% do índice de dividendos e queda de 1,71% do índice de sustentabilidade. O destaque ficou com o índice de BDRs, que subiu 6,04% ajudado pelo câmbio e pela recuperação da bolsa americana. O CDI, medido pelo ETF de Tesouro Selic que usamos como referência de caixa, rendeu 1,10% no mês. Números do fechamento de 31/08.
A bolsa brasileira segue sendo negociada abaixo dos seus múltiplos históricos, e o desconto não é uniforme entre os recortes de tamanho: ele é maior nas empresas de menor capitalização, que ficaram para trás na recuperação dos últimos meses, e menor nas grandes companhias, que concentraram o fluxo. O gráfico abaixo traz o preço sobre lucro projetado para os próximos doze meses em cada recorte, comparado com a média histórica. A leitura que fazemos dele é a mesma dos últimos meses: o desconto existe e é relevante, mas desconto sozinho não atrai comprador; ele vira fluxo quando juro, fiscal e eleição derem a clareza que o capital de fora exige.
A curva de juros conta a história do mês com clareza. Na leitura do fechamento de 28/08, o vencimento curto paga 13,90% e a curva desce até perto de 13,60% na virada de 2026 para 2027, o que significa que o mercado já precifica a continuidade do ciclo de cortes da Selic no horizonte de um ano. Do meio da curva em diante o desenho muda: as taxas voltam a subir e a ponta longa chega a 14,59% nos vencimentos de 2034, acima da ponta curta. O investidor compra o alívio de curto prazo e continua cobrando prêmio para financiar o Brasil no longo, com o fiscal e a eleição respondendo pela diferença.
Para a bolsa, esse desenho separa dois grupos de empresas. De um lado, as que geram caixa hoje e não dependem de a taxa longa ceder. De outro, as que sofreram mais no aperto e são as primeiras a reagir quando o mercado passa a acreditar na queda. A rotação de agosto foi exatamente a migração do primeiro grupo para o segundo.
Medidos contra a média móvel de seis meses, no fechamento de 31/08, os principais índices da bolsa brasileira estão em níveis técnicos pouco esticados. O Ibovespa opera praticamente em cima da média, com desvio de apenas 0,10 desvio padrão para baixo, e o índice de dividendos está em posição parecida. O maior desconto técnico está nas small caps, que operam 5,1% abaixo da média de seis meses, a 0,85 desvio padrão negativo, e é ali que a relação entre risco e retorno para novas entradas está mais favorável. Na outra ponta, o índice de BDRs opera 8,1% acima da média, a mais de um desvio padrão positivo, o que recomenda disciplina de preço para quem monta posição internacional agora.
De onde viemos. As carteiras entraram em agosto montadas para o mercado de julho, que premiava caixa presente: distribuição de combustíveis, seguros, saneamento e energia. A tese funcionou por um mês inteiro e parou de funcionar no meio de agosto, quando a liderança da bolsa rodou para as histórias de recuperação. O resultado do mês reflete isso, e está descrito carteira a carteira abaixo, sem maquiagem.
O que o mês revelou. A rotação não foi um soluço: ela veio junto com a curva precificando cortes, com o exterior devolvendo fôlego ao risco e com as small caps saindo do fundo. Quando o mercado passa a acreditar em juro menor, quem reage primeiro é quem mais sofreu com o juro alto, e agosto foi o primeiro mês em que isso apareceu de forma organizada nos preços.
Para onde apontamos. Para setembro, a carteira recomendada de dez ações carrega os dois lados: uma perna de resultado presente, que paga a conta enquanto o cenário não se define, e uma perna de recuperação, que amadurece se a trajetória de cortes se confirmar. O que vigiamos no mês: a decisão do Copom e a do Federal Reserve no dia 16, o comportamento do petróleo, que move duas das nossas maiores posições, e o preço do aço, que define se a recuperação da siderurgia é ponto fora da curva ou começo de ciclo.
Estados Unidos:nas últimas semanas de outubro, investidores começaram a se preparar para um possível “pivot do Fed”, que podemos traduzir como decisões de política monetária menos duras “dovish”. A primeira semana de novembro, quando teremos a reunião do FOMC, será essencial para o mercado confirmar essa tese. Nossa opinião é que existe uma boa possibilidade desse movimento ocorrer, o que seria positivo para ativos de risco, como ações e criptoativos. Porém, além da decisão do FOMC, é necessário que os dados da inflação e do mercado de trabalho contribuam para isso. Apesar dessa possível sinalização, ainda não estamos otimistas com todos os setores americanos. Assim, deveremos ser seletivos nas escolhas. A mudança da narrativa da inflação para a da recessão poderá possibilitar a abertura de oportunidades, mas que devem ser executadas com cautela.
A carteira Ibovespa 10+ apresentou queda de 2,65% no mês de agosto. No mesmo período, o Ibovespa obteve desempenho negativo de 0,33%. No ano de 2026, a carteira acumula queda de 3,25%. Em relação ao mês de agosto, saíram as ações da Copasa (CSMG3), Itaú Unibanco (ITUB3), JHSF (JHSF3), PRIO (PRIO3) e Bradsaúde (SAUD3). Com inclusão das ações da Méliuz (CASH3), Fleury (FLRY3), Gerdau (GGBR4), LWSA (LWSA3) e Petrobras (PETR4).
É o maior giro que esta carteira teve no ano, e ele reflete o tamanho da rotação de agosto, não uma mudança de método. As saídas não foram por deterioração de resultado: os cinco papéis perderam posição relativa num mês em que a liderança rodou. A lista ficou com duas pernas. A de resultado presente, com Petrobras, BB Seguridade, Caixa Seguridade, Ultrapar e Vibra, entrega caixa independentemente do que a curva longa fizer. A de recuperação, com Gerdau, Fleury, LWSA e Méliuz, sofreu mais no aperto e reage antes quando o mercado precifica alívio. Duas escolhas do mês vieram de disciplina de carteira, não do modelo: carregamos uma posição por empresa, ficando com a classe de maior liquidez quando ON e PN aparecem juntas, e não entramos em papel cuja negociação esteja travada por evento societário.
A Carteira Ibovespa 10+ tem por objetivo superar a performance do Ibovespa no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ações de empresas com volume financeiro médio nos últimos 3 meses superior a R$ 1 milhão e pertencentes ao IBRA (Índice Brasil Amplo) fazem parte do universo de escolhas.
É a maior entrada do mês e o caso mais direto de geração de caixa presente da bolsa. A companhia negocia a 4,9 vezes o lucro dos últimos doze meses, um dos múltiplos mais baixos entre as grandes da bolsa, com retorno sobre patrimônio de 27,8% e margem líquida de 24,4%. O lucro cresceu 71% em doze meses, ajudado pelo petróleo, e o papel acumula alta de 59% no período sem que o múltiplo tenha esticado. Entra na classe preferencial, que é a de maior liquidez do par. O preço do barril é a variável que manda no caso, e é o que acompanhamos.
É a maior rentabilidade da carteira e uma das mais consistentes da bolsa brasileira. O retorno sobre patrimônio de 84% não tem paralelo entre as companhias que acompanhamos, e vem com múltiplo de 8,5 vezes lucro, combinação que raramente aparece junta. A distribuição elevada que caracteriza o papel segue sustentada pelo resultado, e a ação acumula alta de 40% em doze meses. O crescimento de lucro rodou perto de 3% no último ano, então o caso aqui é renda e previsibilidade, não expansão. Seguimos atentos ao segmento de seguros, que ainda roda abaixo do potencial e é onde vemos o espaço adicional de resultado.
A dona da rede Ipiranga segue colhendo a virada estrutural da distribuição de combustíveis. A melhora do ambiente regulatório reduziu a concorrência irregular e devolveu rentabilidade às distribuidoras formais, e o resultado aparece: lucro crescendo 18,6% em doze meses, retorno sobre patrimônio de 20,2% e múltiplo de 11,2 vezes lucro. O papel dobrou de preço em doze meses acompanhando essa virada, então a disciplina de entrada importa: o mercado já reconheceu boa parte do caso, e é a continuidade da margem que sustenta o próximo movimento.
A operadora da rede BR é a outra ponta da mesma tese da distribuição, negociada mais barata. O múltiplo de 8,2 vezes lucro e o retorno sobre patrimônio de 21,5% vêm com o lucro dos últimos doze meses ainda pressionado, com queda de 10% na comparação anual, e é exatamente essa defasagem que explica o desconto em relação à concorrente direta. A ação subiu 67% em doze meses e a normalização do resultado é o gatilho que acompanhamos trimestre a trimestre.
Entrega retorno sobre patrimônio de 32,8% com a mesma lógica de distribuição bancária da BB Seguridade. O canal da Caixa Econômica Federal dá acesso a um cliente que a concorrência não alcança pelo mesmo custo, e o crescimento acompanha o ritmo de originação da rede, o que torna o resultado previsível. O papel negocia a 12,8 vezes lucro e acumula alta de 49% em doze meses. É posição de renda dentro da carteira de ações, com resultado pouco sensível ao ciclo.
É a posição de crescimento da carteira, e o mercado cobra por isso. A geradora a gás combina contratos de longo prazo, que dão previsibilidade, com uma agenda de destravamento de valor nos ativos de gás que ainda não está no resultado corrente. A receita cresceu 24% em doze meses e o lucro deu um salto de quase três vezes sobre uma base fraca, com a ação subindo 74% no período. O múltiplo de 53 vezes o lucro dos últimos doze meses reflete a expectativa: a execução do cronograma é o que sustenta a tese, e é o que acompanhamos.
É a aposta cíclica do mês. A siderúrgica atravessa a parte baixa do ciclo, com o lucro dos últimos doze meses em queda de 30% e retorno sobre patrimônio de 4,2%, abaixo da própria média histórica, e negocia a 0,9 vez o valor de patrimônio. A ação subiu 47% em doze meses porque o mercado começou a antecipar a virada antes que ela apareça no resultado, que é o padrão de comportamento do setor. O preço do aço e o ritmo da construção americana são as variáveis que definem se estamos diante de começo de ciclo ou de ponto fora da curva.
É a entrada de perfil mais estável entre as cinco, e a que menos depende de cenário para funcionar. A companhia de medicina diagnóstica cresceu receita 12% e lucro 16% no último ano, com retorno sobre patrimônio de 12,8% e múltiplo de 15,3 vezes lucro, próximo da média do setor de saúde. A ação acumula alta de 46% em doze meses. O caso é de execução: ganho de escala nas marcas regionais e disciplina de custo, sem depender de juro ou de eleição.
É a tese de virada da carteira, comprada praticamente a valor de patrimônio. A companhia de tecnologia para comércio digital ainda opera no vermelho, com margem líquida negativa, mas a receita voltou a crescer e a ação negocia a 1,0 vez o patrimônio, o que dá pouco espaço adicional de queda se a recuperação se confirmar. Subiu apenas 9% em doze meses, bem menos que a bolsa, e é a posição mais sensível à trajetória de juros da carteira: se o ciclo de cortes se confirmar, é das primeiras a reagir.
É a menor empresa da lista e a posição de maior risco individual, e entra por força relativa. A plataforma de cashback e serviços financeiros tem valor de mercado abaixo de um bilhão de reais e cresce receita 26% ao ano, bem acima do resto da carteira, mas ainda não converteu esse crescimento em lucro: o retorno sobre patrimônio é negativo. A ação subiu 18% em doze meses. O tamanho pequeno da posição é parte da recomendação: é assimetria, não âncora, e o ponto de equilíbrio operacional é o marco que acompanhamos.
A carteira Ibovespa 5+ apresentou queda de 1,97% no mês de agosto. No mesmo período, o Ibovespa obteve desempenho negativo de 0,33%. No ano de 2026, a carteira acumula alta de 0,90%, e é a melhor das nossas carteiras de ações no acumulado. Em relação ao mês de agosto, saíram as ações da Caixa Seguridade (CXSE3). Com inclusão das ações da Petrobras (PETR4).
É a carteira que menos mudou no mês, e isso diz algo. Enquanto a de dez ações girou metade das posições, a concentrada manteve quatro das cinco e ficou inteira no lado do resultado presente: distribuição de combustíveis, seguros, saneamento e petróleo, todas com caixa que não depende de a taxa longa ceder. Numa carteira de cinco nomes, cada erro de leitura custa um quinto do resultado, e por isso convicção aqui não é a ação que mais pode subir, é a que menos depende de sorte. A saída da Caixa Seguridade foi por perda de posição relativa, não por piora de resultado.
A Carteira Ibovespa 5+ é divulgada mensalmente no jornal Valor Econômico e tem por objetivo superar a performance do Ibovespa no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ações de empresas com volume financeiro médio nos últimos 3 meses superior a R$ 5 milhões e pertencentes ao Ibovespa fazem parte do universo de escolhas.
É a maior entrada do mês e o caso mais direto de geração de caixa presente da bolsa. A companhia negocia a 4,9 vezes o lucro dos últimos doze meses, um dos múltiplos mais baixos entre as grandes da bolsa, com retorno sobre patrimônio de 27,8% e margem líquida de 24,4%. O lucro cresceu 71% em doze meses, ajudado pelo petróleo, e o papel acumula alta de 59% no período sem que o múltiplo tenha esticado. Entra na classe preferencial, que é a de maior liquidez do par. O preço do barril é a variável que manda no caso, e é o que acompanhamos.
A dona da rede Ipiranga segue colhendo a virada estrutural da distribuição de combustíveis. A melhora do ambiente regulatório reduziu a concorrência irregular e devolveu rentabilidade às distribuidoras formais, e o resultado aparece: lucro crescendo 18,6% em doze meses, retorno sobre patrimônio de 20,2% e múltiplo de 11,2 vezes lucro. O papel dobrou de preço em doze meses acompanhando essa virada, então a disciplina de entrada importa: o mercado já reconheceu boa parte do caso, e é a continuidade da margem que sustenta o próximo movimento.
É a maior rentabilidade da carteira e uma das mais consistentes da bolsa brasileira. O retorno sobre patrimônio de 84% não tem paralelo entre as companhias que acompanhamos, e vem com múltiplo de 8,5 vezes lucro, combinação que raramente aparece junta. A distribuição elevada que caracteriza o papel segue sustentada pelo resultado, e a ação acumula alta de 40% em doze meses. O crescimento de lucro rodou perto de 3% no último ano, então o caso aqui é renda e previsibilidade, não expansão. Seguimos atentos ao segmento de seguros, que ainda roda abaixo do potencial e é onde vemos o espaço adicional de resultado.
É a posição mais defensiva da carteira, num setor em que o fluxo de caixa é contratado. A companhia de saneamento de Minas Gerais entrega margem líquida de 14,9%, retorno sobre patrimônio de 14,6% e receita crescendo de forma constante, a 7,3% ao ano. O papel praticamente dobrou em doze meses, com alta de 98%, embalado pela agenda de privatização, e negocia a 16,2 vezes lucro. O risco relevante aqui é regulatório e de calendário político, não de demanda, e o cronograma do processo é o que acompanhamos mês a mês.
A operadora da rede BR é a outra ponta da mesma tese da distribuição, negociada mais barata. O múltiplo de 8,2 vezes lucro e o retorno sobre patrimônio de 21,5% vêm com o lucro dos últimos doze meses ainda pressionado, com queda de 10% na comparação anual, e é exatamente essa defasagem que explica o desconto em relação à concorrente direta. A ação subiu 67% em doze meses e a normalização do resultado é o gatilho que acompanhamos trimestre a trimestre.
A carteira Small Caps 8+ apresentou queda de 1,72% no mês de agosto. No mesmo período, o índice de small caps (SMLL) obteve desempenho negativo de 1,26%. No ano de 2026, a carteira acumula queda de 6,84%. Em relação ao mês de agosto, saíram as ações da Copasa (CSMG3), Desktop (DESK3), Intelbras (INTB3), JHSF (JHSF3) e Bradsaúde (SAUD3). Com inclusão das ações da União Pet (AUAU3), Méliuz (CASH3), Fleury (FLRY3), Metalúrgica Gerdau (GOAU4) e LWSA (LWSA3). A Tenda volta a integrar a carteira depois de um mês fora.
A Carteira Small Caps 8+ tem por objetivo superar a performance do Índice Small (SMLL) no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ações pertencentes ao Índice de Small Caps e com volume financeiro médio nos últimos 3 meses superior a R$ 3 milhões fazem parte do universo de escolhas.
É a menor empresa da lista e a posição de maior risco individual, e entra por força relativa. A plataforma de cashback e serviços financeiros tem valor de mercado abaixo de um bilhão de reais e cresce receita 26% ao ano, bem acima do resto da carteira, mas ainda não converteu esse crescimento em lucro: o retorno sobre patrimônio é negativo. A ação subiu 18% em doze meses. O tamanho pequeno da posição é parte da recomendação: é assimetria, não âncora, e o ponto de equilíbrio operacional é o marco que acompanhamos.
É a entrada de perfil mais estável entre as cinco, e a que menos depende de cenário para funcionar. A companhia de medicina diagnóstica cresceu receita 12% e lucro 16% no último ano, com retorno sobre patrimônio de 12,8% e múltiplo de 15,3 vezes lucro, próximo da média do setor de saúde. A ação acumula alta de 46% em doze meses. O caso é de execução: ganho de escala nas marcas regionais e disciplina de custo, sem depender de juro ou de eleição.
É a expressão da tese cíclica da siderurgia dentro do universo de small caps, comprada com desconto de holding. O papel negocia a 5,5 vezes lucro e a 0,7 vez o valor de patrimônio, com retorno sobre patrimônio de 11,8% e o lucro dobrando no último ano sobre uma base fraca. A ação subiu 53% em doze meses. Quem carrega a holding carrega a mesma virada de ciclo da Gerdau com um múltiplo menor, pagando por isso a liquidez menor do papel.
É a tese de virada da carteira, comprada praticamente a valor de patrimônio. A companhia de tecnologia para comércio digital ainda opera no vermelho, com margem líquida negativa, mas a receita voltou a crescer e a ação negocia a 1,0 vez o patrimônio, o que dá pouco espaço adicional de queda se a recuperação se confirmar. Subiu apenas 9% em doze meses, bem menos que a bolsa, e é a posição mais sensível à trajetória de juros da carteira: se o ciclo de cortes se confirmar, é das primeiras a reagir.
É a posição de qualidade da carteira, e a que menos depende do cenário para justificar o preço. A locadora de equipamentos entrega retorno sobre patrimônio de 23,8%, margem líquida de 23,5% e lucro crescendo 49% no último ano, com receita avançando 11%. Negocia a 8,3 vezes lucro e acumula alta de 37% em doze meses. A locação captura o ciclo de investimento da indústria e da construção sem carregar o risco da obra, modelo que se provou resiliente nos últimos trimestres.
É o caso de recuperação industrial da carteira, com o preço ainda atrás da virada operacional. A companhia é fornecedora global de componentes para veículos comerciais e máquinas agrícolas, posição de liderança que não se constrói em ciclo curto, e a alavancagem voltou a patamar normalizado depois de trimestres pressionados por custo e câmbio. A ponte entre a recuperação doméstica e o ciclo global de veículos pesados é o que sustenta a posição, que também está na carteira de micro caps.
É a estreia do mês, comprada abaixo do valor de patrimônio no varejo de produtos para animais. A companhia negocia a 0,9 vez o patrimônio, com o lucro se recuperando de uma base muito baixa, o que produz um múltiplo de lucro ainda alto, de 32 vezes, que tende a comprimir conforme o resultado normaliza. A ação caiu 2% em doze meses, na contramão da bolsa, e é a posição de menor liquidez da lista, o que faz da execução a parte mais delicada da entrada.
Entrega retorno sobre patrimônio de 36% a 7,0 vezes lucro, a segunda maior rentabilidade da carteira. A construtora de baixa renda cresceu receita 32% e lucro 50% no último ano, com o programa habitacional dando demanda contratada e previsibilidade de vendas que poucos setores têm hoje. A ação sobe 55% em doze meses. Volta à carteira pelo mesmo motivo que saiu: em ciclo de juros, ela é das primeiras a se mover, para os dois lados.
A carteira Micro Caps 5+ apresentou queda de 0,11% no mês de agosto, e foi a nossa melhor carteira de ações no desempenho relativo. No mesmo período, o índice de small caps (SMLL) obteve desempenho negativo de 1,26%. No ano de 2026, a carteira acumula queda de 3,64%. Em relação ao mês de agosto, saíram as ações da Eucatex (EUCA4) e Westwing (WEST3). Com inclusão das ações da Méliuz (CASH3) e Tupy (TUPY3).
É a maior convicção da carteira: 4,9 vezes lucro, retorno sobre patrimônio de 24% e margem líquida de 25%. A companhia de relógios e acessórios quase dobrou o lucro no último ano, com alta de 95%, sustentada por um portfólio de marcas próprias e licenciadas que permite crescer sem capital intensivo. A ação sobe 54% em doze meses e ainda negocia a múltiplo de um dígito. Como todo consumo discricionário, o volume responde a renda e a crédito, e é aí que o ciclo aparece antes do resultado.
O lucro multiplicou por mais de quatro no último ano e a companhia ainda negocia a metade do valor de patrimônio. O grupo de eletrônicos e acessórios, dono da marca Multilaser, cresceu receita 17% e viu a ação subir 114% em doze meses, e mesmo assim o papel negocia a 5,1 vezes lucro e a 0,5 vez o patrimônio, o maior desconto patrimonial entre as posições de micro caps. A conversão do crescimento em margem recorrente é o que ainda falta o preço reconhecer, e é o que acompanhamos nos próximos resultados.
Oferece exposição à cadeia de óleo e gás sem carregar risco de exploração. A companhia de serviços marítimos cresceu receita 32% no último ano, com retorno sobre patrimônio de 16,2% e múltiplo de 12,2 vezes lucro, e a frota contratada dá visibilidade de receita para os próximos trimestres. A ação sobe 55% em doze meses. O negócio é intensivo em capital, o que faz do custo de financiamento uma variável relevante do resultado, e é a carteira de contratos, não o múltiplo, que sustenta a posição.
É a menor empresa da lista e a posição de maior risco individual, e entra por força relativa. A plataforma de cashback e serviços financeiros tem valor de mercado abaixo de um bilhão de reais e cresce receita 26% ao ano, bem acima do resto da carteira, mas ainda não converteu esse crescimento em lucro: o retorno sobre patrimônio é negativo. Nesta carteira o papel pesa um quinto, contra um décimo na de dez ações: quem a carrega precisa estar confortável com esse tamanho. O ponto de equilíbrio operacional é o marco que acompanhamos.
É o caso de recuperação industrial da carteira, com o preço ainda atrás da virada operacional. A companhia é fornecedora global de componentes para veículos comerciais e máquinas agrícolas, posição de liderança que não se constrói em ciclo curto, e a alavancagem voltou a patamar normalizado depois de trimestres pressionados por custo e câmbio. A ponte entre a recuperação doméstica e o ciclo global de veículos pesados é o que sustenta a posição, que também está na carteira de small caps.
A carteira Dividendos 5+ apresentou queda de 5,53% no mês de agosto. No mesmo período, o Índice Dividendos (IDIV) obteve desempenho negativo de 1,65%. No ano de 2026, a carteira acumula alta de 1,07%. Em relação ao mês de agosto, saíram as ações da Caixa Seguridade (CXSE3) e JHSF (JHSF3). Com inclusão das ações da BB Seguridade (BBSE3) e Petrobras (PETR4).
A Carteira Dividendos 5+ tem por objetivo superar a performance do Índice Dividendos (IDIV) no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ações de empresas com volume financeiro médio nos últimos 3 meses superior a R$ 10 milhões e pertencentes ao Índice de Dividendos (IDIV) fazem parte do universo de seleção.
É a maior rentabilidade da carteira e uma das mais consistentes da bolsa brasileira. O retorno sobre patrimônio de 84% não tem paralelo entre as companhias que acompanhamos, e vem com múltiplo de 8,5 vezes lucro, combinação que raramente aparece junta. A distribuição elevada que caracteriza o papel segue sustentada pelo resultado, e a ação acumula alta de 40% em doze meses. O crescimento de lucro rodou perto de 3% no último ano, então o caso aqui é renda e previsibilidade, não expansão. Seguimos atentos ao segmento de seguros, que ainda roda abaixo do potencial e é onde vemos o espaço adicional de resultado.
É a maior entrada do mês e o caso mais direto de geração de caixa presente da bolsa. A companhia negocia a 4,9 vezes o lucro dos últimos doze meses, um dos múltiplos mais baixos entre as grandes da bolsa, com retorno sobre patrimônio de 27,8% e margem líquida de 24,4%. O lucro cresceu 71% em doze meses, ajudado pelo petróleo, e o papel acumula alta de 59% no período sem que o múltiplo tenha esticado. Nesta carteira o critério que a traz é o dividendo recorrente, não apenas a força relativa. O preço do barril é a variável que manda no caso.
A operadora da rede BR é a outra ponta da mesma tese da distribuição, negociada mais barata. O múltiplo de 8,2 vezes lucro e o retorno sobre patrimônio de 21,5% vêm com o lucro dos últimos doze meses ainda pressionado, com queda de 10% na comparação anual, e é exatamente essa defasagem que explica o desconto em relação à concorrente direta. A ação subiu 67% em doze meses e a normalização do resultado é o gatilho que acompanhamos trimestre a trimestre.
É a posição mais defensiva da carteira, num setor em que o fluxo de caixa é contratado. A companhia de saneamento de Minas Gerais entrega margem líquida de 14,9%, retorno sobre patrimônio de 14,6% e receita crescendo de forma constante, a 7,3% ao ano. O papel praticamente dobrou em doze meses, com alta de 98%, embalado pela agenda de privatização, e negocia a 16,2 vezes lucro. O risco relevante aqui é regulatório e de calendário político, não de demanda, e o cronograma do processo é o que acompanhamos mês a mês.
É a âncora bancária da carteira: retorno sobre patrimônio de 22% a 10,1 vezes lucro. O banco segue crescendo carteira com controle de risco e entregando trimestres sem sobressalto, que é exatamente o que se pede de uma posição central de dividendos. A ação sobe 44% em doze meses. A inadimplência controlada e a eficiência em melhora dão espaço para distribuição crescente, com resultado que responde pouco ao ciclo eleitoral.
A carteira ESG 5+ apresentou queda de 4,65% no mês de agosto. No mesmo período, o Índice de Sustentabilidade (ISEE) obteve desempenho negativo de 1,71%. No ano de 2026, a carteira acumula alta de 0,15%. Em relação ao mês de agosto, saíram as ações da Copasa (CSMG3) e Bradsaúde (SAUD3). Com inclusão das ações da Fleury (FLRY3) e Mills (MILS3).
A carteira mantém o eixo de energia e infraestrutura e ganha uma perna de saúde com a entrada da Fleury. A Mills entra pelo mesmo motivo que está na de small caps: qualidade a preço razoável dentro de um universo estreito, porque o índice de sustentabilidade é bem menor que o Ibovespa e isso limita as alternativas quando a liderança do mercado roda.
A Carteira ESG 5+ tem por objetivo superar a performance do Índice de Sustentabilidade (ISEE) no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ações de empresas com volume financeiro médio nos últimos 3 meses superior a R$ 10 milhões e pertencentes ao Índice de Sustentabilidade (ISEE) fazem parte do universo de seleção.
A dona da rede Ipiranga segue colhendo a virada estrutural da distribuição de combustíveis. A melhora do ambiente regulatório reduziu a concorrência irregular e devolveu rentabilidade às distribuidoras formais, e o resultado aparece: lucro crescendo 18,6% em doze meses, retorno sobre patrimônio de 20,2% e múltiplo de 11,2 vezes lucro. O papel dobrou de preço em doze meses acompanhando essa virada, então a disciplina de entrada importa: o mercado já reconheceu boa parte do caso, e é a continuidade da margem que sustenta o próximo movimento.
É a posição de crescimento da carteira, e o mercado cobra por isso. A geradora a gás combina contratos de longo prazo, que dão previsibilidade, com uma agenda de destravamento de valor nos ativos de gás que ainda não está no resultado corrente. A receita cresceu 24% em doze meses e o lucro deu um salto de quase três vezes sobre uma base fraca, com a ação subindo 74% no período. O múltiplo de 53 vezes o lucro dos últimos doze meses reflete a expectativa: a execução do cronograma é o que sustenta a tese, e é o que acompanhamos.
É a entrada de perfil mais estável entre as cinco, e a que menos depende de cenário para funcionar. A companhia de medicina diagnóstica cresceu receita 12% e lucro 16% no último ano, com retorno sobre patrimônio de 12,8% e múltiplo de 15,3 vezes lucro, próximo da média do setor de saúde. A ação acumula alta de 46% em doze meses. O caso é de execução: ganho de escala nas marcas regionais e disciplina de custo, sem depender de juro ou de eleição.
A operadora da rede BR é a outra ponta da mesma tese da distribuição, negociada mais barata. O múltiplo de 8,2 vezes lucro e o retorno sobre patrimônio de 21,5% vêm com o lucro dos últimos doze meses ainda pressionado, com queda de 10% na comparação anual, e é exatamente essa defasagem que explica o desconto em relação à concorrente direta. A ação subiu 67% em doze meses e a normalização do resultado é o gatilho que acompanhamos trimestre a trimestre.
É a posição de qualidade da carteira, e a que menos depende do cenário para justificar o preço. A locadora de equipamentos entrega retorno sobre patrimônio de 23,8%, margem líquida de 23,5% e lucro crescendo 49% no último ano, com receita avançando 11%. Negocia a 8,3 vezes lucro e acumula alta de 37% em doze meses. A locação captura o ciclo de investimento da indústria e da construção sem carregar o risco da obra, modelo que se provou resiliente nos últimos trimestres.

Data base da informação: 02/2022. Rentabilidade passada não apresenta garantia de rentabilidade futura. A rentabilidade divulgada já é líquida da taxa de administração, mas não é líquida de impostos (IR e IOF), exceto para os Fundos de Debêntures Incentivadas. Leia sempre o prospecto e o regulamento antes de investir. Fundos de investimento não contam com garantia do administrador, do gestor, de qualquer mecanismo de seguro ou Fundo Garantidor de Crédito - FGC. Para a avaliação da performance de um fundo de investimento, é recomendável a análise de, no mínimo, 12 (doze) meses.